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Bahrein: centenas de manifestantes fazem passeata em Manama

24 fev 2011
11h57
atualizado às 12h41

Centenas de manifestantes marcharam nesta quinta-feira pelo centro histórico de Manama, pela primeira vez desde o início da revolta popular no Bahrein em 14 de fevereiro.

Manifestantes antigoverno protestam na Praça Pérola em Manama
Manifestantes antigoverno protestam na Praça Pérola em Manama
Foto: AP

Os manifestantes saíram do acampamento da Praça da Pérola, transformada em quartel-general do movimento, carregando sete caixões simbólicos para lembrar as sete pessoas mortas pela repressão aos protestos.

"A marcha se dirige para Bab al Bahrein, o centro histórico de Manama, informou um dos organizadores, Hani al Kaffas.

"A Praça da Pérola continua sendo nosso lugar principal de manifestações, mas nosso movimento deve ganhar o resto do território do Bahrein", afirmou.

Não havia presença das forças de segurança, apenas um helicóptero que sobrevoava a passeata, integrada por cerca de 3 mil pessoas, segundo cálculos dos jornalistas.

Os manifestantes voltaram a exigir o fim da dinastia sunita dos Al Khalifa, que governa há mais de dois séculos este pequeno país do Golfo, majoritariamente habitado por xiitas.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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