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Arábia Saudita recusa vaga no Conselho de Segurança por "dupla moral" da ONU

18 out 2013
06h17
atualizado às 13h53
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A Arábia Saudita se negou nesta sexta-feira a ocupar uma cadeira temporária no Conselho de Segurança das Nações Unidas para protestar pela "impotência" do organismo ante os conflitos no Oriente Médio, em particular na Síria.

<p>Sessão do Conselho de Segurança da ONU que aprovou por unanimidade a resolução que exige a erradicação do arsenal de armas químicas da Síria, em 27 de setembro</p>
Sessão do Conselho de Segurança da ONU que aprovou por unanimidade a resolução que exige a erradicação do arsenal de armas químicas da Síria, em 27 de setembro
Foto: Keith Bedford / Reuters

Segundo um comunicado da chancelaria saudita, Riad "não tem outro remédio a não ser renunciar a integrar o Conselho de Segurança, até que este seja renovado e dotado dos meios necessários para cumprir com suas obrigações e assumir suas responsabilidades, como garantidor da paz e da segurança no mundo".

Na quinta-feira, a Arábia Saudita - um peso pesado no mundo árabe e que apoia sem reservas a oposição síria.- foi eleita pela primeira vez membro não permanente do Conselho de Segurança de ONU, ao lado de Chile, Chade, Nigéria e Lituânia. O mandato de dois anos dos novos membros começa em 1º de janeiro de 2014.

O ministério saudita das Relações Exteriores considera que o fato de "permitir ao regime sírio matar seu povo e queimá-lo com armas químicas, diante dos olhos do mundo inteiro, e sem sanções dissuasivas, é uma prova clara da impotência do Conselho de Segurança no momento de cumprir com seu dever e assumir suas responsabilidades".

O comunicado denuncia a "dupla moral" do Conselho de Segurança e destaca que "há 65 anos a questão palestina permanece sem solução". Também afirma que o organismo é incapaz de livrar o Oriente Médio das armas de destruição em massa.

"Isto é algo totalmente inesperado"
A rejeição da Arábia Saudita surpreendeu vários diplomatas do Conselho. Alguns deles levantavam nesta sexta-feira a hipótese de que o reino saudita revisaria esta decisão, que ainda não foi notificada oficialmente ao Conselho.

"Isto é algo totalmente inesperado, verificamos em toda a história do Conselho para encontrar um precedente e não existe", disse um diplomata do Conselho, acrescentando que uma candidatura a ocupar um assento neste organismo leva anos de preparação, o que faz com que o gesto da Arábia Saudita seja ainda mais surpreendente.

<p>Frame de vídeo mostra explosão em depósito de munições na cidade de Homs: caos sírio entre os casos da crítica saudita ao órgão máximo da ONU</p>
Frame de vídeo mostra explosão em depósito de munições na cidade de Homs: caos sírio entre os casos da crítica saudita ao órgão máximo da ONU
Foto: AFP

A decisão saudita foi criticada pela Rússia, membro permanente do Conselho. "Estamos surpresos pela decisão sem precedentes da Arábia Saudita", declarou o ministério russo das Relações Exteriores em um comunicado. "As críticas (sauditas) ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, no contexto da crise síria, nos parecem particularmente estranhas", acrescentou.

A eleição de 10 membros não permanentes do Conselho é realizada com base regional, e se a Arábia Saudita mantiver sua posição caberá ao grupo árabe no seio da Assembleia Geral encontrar um novo candidato que depois deverá ser aprovado em uma votação de toda a Assembleia. "Pode ocorrer ali uma nova eleição, mas ainda é possível persuadir Riad a mudar sua posição", considerou outro diplomata.

O Conselho, que conta com 15 membros, renova todos os anos cinco de seus 10 assentos de membros não permanentes, sobre uma base regional. Na quinta-feira, Arábia Saudita, Chade, Chile, Nigéria e Lituânia foram escolhidos para um mandato de dois anos no Conselho, que entrará em vigor no dia 1 de janeiro.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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