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AIEA pede ao Irã que cumpra suas obrigações internacionais

7 jun 2010
07h05
atualizado às 09h04

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, pediu nesta segunda ao Irã para cumprir suas obrigações internacionais para poder confirmar que seu programa nuclear é pacífico, ao mesmo tempo em que reiterou que se trata de um "caso especial", já que existem suspeitas de que suas atividades atômicas têm uma "dimensão militar".

Na abertura da reunião de verão do Conselho de Governadores da AIEA, Amano acrescentou que Teerã "não oferece a cooperação necessária para permitir ao organismo confirmar que todo seu material nuclear serve para atividades pacíficas".

Essas declarações do responsável máximo do organismo foram feitas em paralelo às negociações das grandes potências do Conselho de Segurança da ONU para uma nova rodada de sanções contra a República Islâmica.

"Peço ao Irã que tome as medidas para aplicar plenamente seus acordos de salvaguardas (controles) e outras obrigações", incluindo inspeções sem aviso prévio em todas as instalações atômicas desse país, manifestou Amano.

Há anos, a AIEA investiga as "possíveis dimensões militares" do programa nuclear iraniano com base em informações reservadas recebidas pelos Estados Unidos e vários de seus aliados europeus.

O Irã afirma que essas alegações, que entre outros assuntos se referem a possíveis experimentos com explosivos especiais, são falsas e manipuladas. Por isso, o país se nega a debater o assunto com a AIEA.

Por outro lado, Amano destacou hoje em seu discurso diante dos 35 países-membros da Agência que o Irã inaugurou um novo regime de inspeções, mais severo do que o normal, para controlar uma parte de seu programa de enriquecimento.

No mês passado, Brasil, Turquia e Irã firmaram um acordo para enviar 1,2 t de urânio iraniano ao exterior, enriquecido a 3,5%, e, no prazo de um ano, receber de volta 120 quilos do combustível enriquecido a 20%.

Amano disse que em 24 de maio recebeu a proposta do Irã e que a reenviou à França e Rússia, os dois países que estariam encarregados de processar o urânio iraniano.

"Estou esperando suas respostas", assinalou Amano perante o plenário da AIEA.

Segundo diplomatas ocidentais, a proposta trilateral Brasil-Turquia-Irã chega tarde demais para convencer as grandes potências.

Proposta semelhante já havia sido lançada em outubro passado pelo anterior diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, como medida para criar confiança entre o Irã e a comunidade internacional.

Na ocasião, a 1,2 mil t de urânio enriquecido que seria enviada ao exterior representava quase 75% do total existente desse material no Irã. Mas agora essa percentagem diminuiu para 50%.

Estados Unidos e a União Europeia temem que a República Islâmica esteja trabalhando, sob o pretexto de um programa nuclear civil, na fabricação de armas nucleares, algo que o regime de Teerã nega categoricamente.

EFE   
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