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Ahmadinejad: a primeira visita de um presidente iraniano ao Cairo desde 1979

5 fev 2013
12h16
atualizado às 12h18

Mahmud Ahmadinejad iniciou nesta terça-feira no Cairo a primeira visita de um presidente iraniano no Egito em 34 anos, com uma reunião protocolar com Mohamed Mursi sobre a guerra na Síria e a normalização entre os dois países.

Ahmadinejad, que participará da 12ª Cúpula da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) prevista para quarta e quinta-feira no Cairo, foi recebido pelo chefe de Estado egípcio, segundo imagens exibidas pela televisão estatal.

Os dois presidentes discutiram no aeroporto sobre "os meios de resolver a crise síria para acabar com o derramamento de sangue, sem intervenção militar" e sobre "os meios de reforçar as relações entre o Egito e o Irã", indicou a agência oficial Mena.

Sabe-se que Ahmadinejad, presidente do maior país muçulmano xiita, visitará a sede do Al-Azhar, a renomada instituição teológica do islã sunita, mas o restante da programação do presidente iraniano não foi informada.

O Egito e o Irã não mantêm relações diplomáticas, rompidas por Teerã em protesto contra os acordos de paz firmados em 1979 pelo então presidente egípcio, Anuar al-Sadat, e Israel.

Antes de sua partida de Teerã, Ahmadinejad declarou que tentará "abrir o caminho para o desenvolvimento da cooperação entre Irã e Egito".

Esta viagem vai, "sem dúvida, influenciar as relações bilaterais", considerou, acrescentando que "se Teerã e o Cairo se encontrarem mais vezes para discutir as questões regionais e internacionais, muitos números da equação vão mudar".

Os dois países se opõem sobre vários assuntos regionais, principalmente sobre a crise síria. Teerã apoia o regime do presidente Bashar al-Assad, enquanto o Cairo exige a sua saída.

Desde sua vitória na eleição de junho de 2012, Mursi, primeiro presidente islamita e civil do Egito, mais de uma ano após a queda do regime de Hosni Mubarak derrubado por uma revolta popular, o Irã deseja normalizar as relações com Cairo, mas o novo poder egípcio tem se mostrado prudente.

Em agosto, Mursi viajou a Teerã, onde participou de uma reunião de cúpula dos países Não-alinhados, o que caracterizou a primeira visita no Irã de um chefe de Estado egípcio desde a Revolução Islâmica iraniana de 1979.

Por ocasião da visita de Ahmadinejad, o ministro egípcio das Relações Exteriores, Mohamed Kamel Amr, assegurou nesta terça-feira que uma aproximação do seu país com o Irã não se fará "à custa da segurança" das monarquias árabes do Golfo.

"A segurança dos Estados (árabes) do Golfo é parte integrante da segurança do Egito", declarou à margem de uma reunião preparatória da Cúpula da OCI.

As relações entre os Estados do Golfo e o Irã são tensas, Teerã é suspeito de apoiar secretamente a contestação xiita no Bahrein e de tentar desenvolver armas atômicas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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