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Afeganistão registra número recorde de 3.699 civis mortos em 2014

18 fev 2015
08h36

O Afeganistão registrou um recorde de vítimas civis em 2014, com 3.699 mortos e 6.849 feridos, o que representa um aumento com relação a 2013 de 25% e de 21%, respectivamente, números sem comparação desde que a ONU começou a contabilizar em 2009 o impacto do conflito na população civil.

Em seu relatório anual sobre Proteção de Civis em Conflitos Armados apresentado hoje em Cabul, a missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) indicou que o conflito que vive o país piorou especialmente para as crianças, com 714 mortos e 1.760 feridos menores de idade, um aumento de 40%.

Os enfrentamentos entre os talibãs e as forças de segurança afegãs foram o principal motivo da morte de civis, com um aumento de 54%, superando pela primeira vez os artefatos explosivos improvisados desde que a Unama começou a contabilizar as vítimas civis.

"O aumento dos civis mortos e feridos em 2014 testemunha o fracasso para cumprir com o compromisso de proteger os civis", afirmou o representante especial das Nações Unidas para o Afeganistão e diretor da Unama, Nicholas Haysom.

"As partes do conflito devem compreender o impacto de suas ações e assumir suas responsabilidades, cumprir com os valores que asseguram defender e fazer com que a proteção dos civis seja sua primeira prioridade", indicou Haysom.

A ONU relacionou 72% das vítimas civis à atividade insurgente no país, 12% aos militares afegãos, 2% à missão da Isaf da Otan e 10% a batalhas entre os talibãs e as forças pró-governo nas quais não se pôde especificar a responsabilidade.

Os enfrentamentos no terreno foram a primeira causa de morte de civis com 34% do total (1.092 mortos e 2.513 feridos), seguido dos explosivos improvisados (925 mortos e 2.053 feridos) e dos ataques suicidas dos insurgentes (371 mortos e 1.211 feridos).

Os assassinatos de funcionários do governo ou Justiça, mulás e líderes tribais por parte dos talibãs diminuíram 5% com relação a 2013 com 713 mortos e 361 feridos.

A Unama indicou que desde 2009 morreram 17.774 civis no conflito e 29.971 ficaram feridos.

Os dados correspondem a 2014, período em que a missão Isaf da Otan se retirou, dando passagem à operação "Apoio Decidido" que mantém entre três mil e quatro mil soldados aliados em tarefas de formação do Exército afegão junto cerca de 10.800 militares dos Estados Unidos.

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