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ONU exige ação "urgente" contra a crise de fome no Chifre da África

25 jul 2011
10h59

A ONU lançou nesta segunda-feira uma chamada à comunidade internacional para realizar uma intervenção "urgente" que acabe com a crise alimentar na região do Chifre da África, em particular nas duas regiões do sul da Somália onde foi declarado estado de crise de fome.

Várias agências da ONU e representantes governamentais se reuniram nesta segunda-feira em caráter de emergência em Roma para abordar a situação humanitária nessa região do planeta, onde o que preocupa é, sobretudo, a saúde das crianças.

Segundo a Unicef, mais de 500 mil crianças correm o risco de uma morte "iminente" como consequência de uma "desnutrição grave".

O encontro, celebrado na sede da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO), serviu para debater as posições dos diferentes atores comprometidos na luta contra a fome no Chifre da África como base para a conferência de doadores que será realizada na próxima quarta-feira em Nairóbi.

"A catastrófica seca no Chifre da África requer uma ação em massa e urgente", disse durante a abertura da cúpula o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, que presidiu o encontro junto ao ministro da Agricultura francês, Bruno Le Maire, promotor desta iniciativa.

Diouf afirmou que é necessário US$ 1,6 bilhão nos próximos 12 meses para enfrentar a emergência humanitária.

O que mais preocupa as Nações Unidas é a situação de 2,3 milhões de crianças que sofrem de desnutrição "aguda" tanto na Somália quanto na Etiópia e no Quênia, os dois países que estão recebendo o maior fluxo de refugiados somalis.

"O que nos mais preocupa é o estado das crianças, a fome das crianças, que estão tão frágeis. Elas têm apenas 40% de chances de sobreviver", afirmou a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, Josette Sheeran, durante entrevista coletiva após o encontro.

A diretora-executiva do PMA destacou que em sua recente visita à região conversou com algumas mães que explicaram que tiveram que abandonar seus filhos pelo caminho em sua tentativa de fugir da crise de fome para os países vizinhos, uma situação que se agravou nos últimos meses pela seca.

Sheeran disse ainda que, apesar de a Somália ser "um dos lugares mais perigosos" da África, nem todo o país é inacessível e, por isso, já foi possível levar ajuda humanitária a 1,5 milhão de pessoas, enquanto a cada dia cerca de 300 pessoas são atendidas em Mogadíscio, a capital da Somália.

A crise humanitária que vive atualmente o Chifre da África ameaça 12 milhões de pessoas e faz com que uma geração de crianças sofra o risco de apresentar "problemas irreversíveis tanto físicos quanto cognitivos", segundo as conclusões da Presidência do encontro na sede da FAO.

"Temos que trabalhar com os Governos (da região) para estabelecer redes de segurança que protejam os mais vulneráveis, como as mulheres grávidas e em período de lactação, as crianças em seus primeiros mil dias de vida e os idosos, as pessoas com deficiência e os doentes crônicos", diz o texto.

Além disso, preocupam os problemas que os trabalhadores das organizações humanitárias enfrentam para ter acesso ao sul da Somália, quase totalmente controlado pela milícia fundamentalista islâmica Al Shabab, vinculada à rede terrorista Al Qaeda.

Al Shabab continua sem autorizar a passagem da ONU para que leve ajuda à população da região e assegura que a recente declaração da crise de fome se trata de uma "propaganda".

"A situação é dramática. Possivelmente é uma das piores crises e afeta de forma dilacerante os mais vulneráveis, as crianças e as mulheres", disse durante seu comparecimento no plenário do encontro Soraya Rodríguez, secretária de Estado de Cooperação Internacional da Espanha.

Soraya, que recentemente viajou à região para observar os estragos provocados pela seca, explicou que os campos de refugiados do Quênia estão recebendo uma média de 1,3 mil pessoas por dia que fogem da crise de fome na Somália.

Nesta terça-feira começará a operar uma ponte aérea que proporcionará ajuda humanitária à população do Chifre da África com alimentos que não necessitam de refrigeração e nem de água para seu consumo, ressaltou a diretora-executiva do PMA.

EFE   
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