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Onda de violência coloca Tunísia em meio ao caos; entenda

11 jan 2011
14h25
atualizado em 14/1/2011 às 17h20
Tariq Saleh
Direto de Beirute

O governo da Tunísia anunciou na segunda-feira o fechamento das universidades e escolas do país e o envio de tropas do exército às ruas para tentar frear a violenta onda de protestos que tomou conta do país nas últimas duas semanas.

A capital Tunis registrou confrontos nesta terça; o governo fechou universidades para tentar conter a violência
A capital Tunis registrou confrontos nesta terça; o governo fechou universidades para tentar conter a violência
Foto: Reuters

Os protestos se intensificaram no final de semana levando movimentos estudantis às ruas, com jovens enfurecidos pelos altos índices de desemprego e a falta de liberdade política. O presidente tunisiano, Zine El Abidine Ben Ali fez um pronunciamento nas emissoras de rádio e televisão para pedir calma à população.

O governo disse que as manifestações se restringiam a algumas cidades do interior do país. Mas relatos dão conta de que as forças de segurança cercaram os campus de várias universidades na capital Tunis com o objetivo de impedir a saída de centenas de estudantes que planejavam ir às ruas protestar.

Segundo o governo, 14 pessoas já morreram nos confrontos entre a polícia e manifestantes no final de semana. A oposição alega que 24 pessoas foram mortas nos confrontos nas ruas, depois que a polícia começou a reprimir os protestos pacíficos. Nesta terça, um dirigente sindical afirmou à agência AFP que as mortes já passam de 50.

Estas são as piores manifestações no país em décadas. A onda de protestos começou após a morte de Mohamed Bouazizi, um vendedor de rua de 26 anos que atiçou fogo ao próprio corpo porque não conseguia arrumar um emprego.

Segundo a mídia árabe, Bouazizi ficou irritado depois que policiais o abordaram na rua e o ameaçaram de confiscar seus produtos por não ter licença. Depois de ser impedido de fazer uma reclamação às autoridades, o tunisiano jogou gasolina e ateou fogo ao corpo. Ele morreu dias depois no hospital, levando centenas de pessoas às ruas em protestos.

Logo, as manifestações se ampliaram e se transformaram em atos por democracia, empregos e combate à corrupção. Apesar da presença dos militares nas ruas, o sindicato dos professores planeja uma ampla greve geral em protestos contra as mortes de civis.

Atos terroristas
Em seu pronunciamento, o presidente Ben Ali prometeu criar 300 mil empregos, mas culpou os manifestantes pela violência. Os protestos foram violentos, às vezes sangrentos, e causaram a morte de civis e ferimentos em diversos membros das forças de segurança", declarou ele.

O presidente Ben Ali, no cargo desde 1987, também disse que gangues mascaradas atacaram prédios do governo à noite, além de civis em suas casas em "atos terroristas que não poderiam ser menosprezados pelas autoridades".

Críticos acusam o governo de corrupção e de usar a ameaça de grupos islâmicos e a necessidade de atrair investimentos estrangeiros como pretexto para manter políticas domésticas repressivas e violar os direitos civis básicos da população.

Grupos de direitos humanos exigiram que o governo respeitasse o direito da população de protestar de forma pacífica. A oposição pediu que membros das forças de segurança responsáveis pelas mortes de civis fossem levados à corte.

Mas o Ministério do Interior da Tunísia divulgou uma nota dizendo que a polícia agiu em legítima defesa, depois que as suas forças foram atacadas "por grupos extremistas armados com bombas de fabricação caseira e bastões visando tão somente a destruição".

Reações
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, declarou que estava preocupado com os acontecimentos na Tunísia e a escalada da violência, pedindo por calma à população e autoridades.

"O secretário-geral pede por calma e apela para as partes envolvidas que busquem resolver suas diferenças através do diálogo. Ele salienta a importância de se respeitar a liberdade de expressão", disse Ban Ki-moon em sua nota.

A União Europeia, maior parceiro comercial do país, divulgou uma nota em que condenava a perda de vidas civis. A França, que possui estreitas relações com o presidente tunisiano, condenou a violância, lamentando os acontecimentos na Tunísia e pedindo por calma. O governo francêes também insistiu pelo diálogo para "resolver os problemas sociais e econômicos do país".

¿Nós lamentamos a violência que matou pessoas e pedimos por calama", disse porta-voz do Minsitério de Relações Exteriores francês, Bernand Valero.

Os Estados Unidos também se manifestaram sobre os protestos na Tunísia. Em nota à imprensa, o governo americano expressou preocupação sobre a maneira com que o governo tunisiano estava lidando com os protestos. Mas em um sinal de que rejeitava o criticismo internacional, a emissora estatal da Tunísia disse que o Minisitério de Relações Exteriores declarou na segunda-feira que convocaria o embaixador americano em Tunis para expressar "sua surpresa sobre as declarações de Washington".

Fonte: Especial para Terra
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