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Nova Zelândia dará anticoncepcionais às mulheres com subsídios

15 mai 2012
10h03
atualizado às 10h20

O governo da Nova Zelândia passará a financiar novos métodos anticoncepcionais com o objetivo de evitar que as mulheres tenham mais filhos para prorrogar ou aumentar os subsídios que recebem do Estado, os mesmos que foram qualificados de "insultantes" por algumas associações sociais.

A iniciativa do governo conservador do primeiro-ministro, John Key, foi criada com o objetivo de reduzir a carga que esse subsídio representa para o orçamento, já que obrigará as mães que tiverem um segundo filho durante o período de benefício a procurar trabalho depois de um ano.

O Governo, que já distribui preservativos de forma gratuita, destinará US$ 795 mil ao programa, que deverá oferecer dispositivos intra-uterinos (DIU).

As adolescentes desempregadas, que serão as primeiras a serem beneficiadas pela iniciativa, começarão a receber os novos anticoncepcionais a partir de julho. As demais mulheres, incluindo as que recebem subsídio, deverão ser beneficiadas três meses depois.

A ministra neozelandesa de Desenvolvimento Social, Paula Bennett, disse que a medida pretende incentivar a formação e a incorporação das pessoas que recebem o auxílio ao mercado de trabalho, principalmente das mães que dependem do benefício por um longo período.

O plano do governo, no entanto, não agradou as associações de apoio social, como o Grupo de Ação contra a Pobreza em Auckland - que considera o programa uma intromissão do governo "completamente inaceitável" na reprodução das mulheres.

"O que nos preocupa é que haja pressões e intimidações para que as mulheres frequentem estas entrevistas médicas. Há grupos comunitários e religiosos que acham que o Estado não deveria ter um papel na vida reprodutiva das mulheres", disse a porta-voz do Grupo de Ação, Sue Bradford.

A representante do Serviço de Consultoria aos Beneficiados de Christchurch, Rebecca Occleston, considerou a medida de "insultante" e acusou as autoridades de preconceituosas, já que as mesmas consideram que as mulheres procriam de forma deliberada somente para obter mais subsídios.

A ministra neozelandesa de Desenvolvimento Social, por sua vez, não concordou com as acusações e afirmou que o plano só pretende oferecer alternativas para favorecer o planejamento familiar.

"O que dizemos é que se o custo (dos anticoncepcionais) representa uma barreira, vamos oferecer ajuda para superá-la com outras opções", indicou Paula à rádio "New Zealand".

Segundo dados do governo, a Nova Zelândia oferece programas de benefícios aos desempregados, incapacitados e doentes. Aproximadamente 330 mil neozelandeses com idade de trabalho recebem subsídios, sendo que 140 mil vivem dessas ajudas desde 1993. Dentro deste contexto, as mulheres representam pouco mais de 60% dos beneficiados.

Diante destes números, o grupo conservador Family First NZ saiu em defesa da medida governamental ao denunciar que 20% das mulheres que recebem ajudas sociais possuem mais filhos enquanto recebem o benefício.

O diretor nacional dessa organização, Bob McCoskrie, assegurou que os benefícios são importantes em casos "extremos", mas denunciou que oferecer este tipo de auxílio a longo prazo "promove o aumento da taxa de mães solteiras e reduz a taxa de casamentos".

As mães solteiras recebem US$ 252 de ajuda estatal por semana, segundo os dados do Governo.

EFE   

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