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OCDE pede investimento "com mais eficácia" na aprendizagem tecnológica

14 set 2015
20h38
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Utilizar o computador na escola não significa que os alunos adquirem melhores competências, de acordo um estudo divulgado nesta segunda-feira pela OCDE, no qual a organização pede que os sistemas educacionais invistam com mais eficiência na aprendizagem de novas tecnologias.

"É necessário que os sistemas escolares encontrem formas mais eficazes de integrar a tecnologia ao ensino e à aprendizagem para proporcionar aos professores recursos de instrução que apóiem as pedagogias do século XXI", resumiu o diretor de Educação e Habilidades da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, Andreas Schleicher.

O autor do relatório "Students, Computers and Learning: Making the Connection", Francesco Avvisati, que utiliza dados de 2012, explicou à Agência Efe que os resultados nos países da América Latina estudados são caracterizados por uma "profunda divisão na sociedade" com relação ao acesso às novas tecnologias.

Avvisati lembrou que estes países sofreram o mesmo problema que a maioria da OCDE: o investimento em computadores e o uso da tecnologia por parte dos alunos não resultou necessariamente um melhor desempenho de suas habilidades digitais.

"A tecnologia é apenas um meio, não uma varinha mágica", disse Avvisati, que destacou Cingapura e Austrália como dois países que, com métodos diferentes, conseguiram otimizar o recurso das novas tecnologias em benefício de uma melhor educação.

O relatório aponta que 42% dos alunos de 15 anos da Coreia do Sul e 38% dos da cidade chinesa de Xangai utilizam um computador no colégio, abaixo da média de 72% do conjunto dos 64 países analisados, todos os da OCDE e 30 Estados ou economias associadas.

No entanto, os sul-coreanos e naturais de Xangai estão entre os que têm os melhores resultados nas provas do programa PISA da OCDE sobre leitura digital e matemática computadorizadas.

"Contrasta que nos países onde é mais comum que os estudantes utilizem internet no colégio para suas tarefas, os resultados dos alunos em leitura pioraram entre 2000 e 2012, em média", acrescenta o estudo.

Os analistas da OCDE concluem que as tecnologias de informação e comunicação (TIC) que são utilizadas diariamente por boa parte da população "ainda não se adaptaram à educação formal".

"De fato, os resultados PISA não mostram melhorias significativas em interpretação de texto, matemática e ciência nos países que investiram maciçamente em TIC para a educação", ressalta o relatório.

Isso não significa que as escolas devam renunciar às novas tecnologias, adverte a OCDE, pois "os estudantes que não adquirirem competências básicas" em programas do pacote Microsoft Office e navegação pela internet "ficarão impossibilitados de participar completamente da vida econômica, social e cultural que os envolve".

O estudo nos países e regiões onde os alunos manejam melhor as tecnologias da informação, sempre segundo os resultados do relatório, são aqueles que têm muito desenvolvidas as infraestruturas digitais, como Cingapura, Hong Kong e Japão.

"E os estudantes nesses países não estão mais expostos à internet no colégio do que a média da OCDE", enfatizam os especialistas.

Embora a "exclusão digital" média não tenha aumentado entre 2009 e 2012 em nenhum dos países analisados, as diferenças socioeconômicas seguem marcando uma diferença, e a "habilidade para utilizar as TIC para a aprendizagem se explica principalmente, se não completamente, pela diferença observada em capacidades acadêmicas mais tradicionais".

"Portanto, para reduzir as desigualdades e se beneficiar das ferramentas digitais, os países devem primeiro melhorar a igualdade na educação" e garantir que "cada estudante alcance um elevado nível mínimo de interpretação de texto e matemática".

A formação de professor em meios digitais é um dos caminhos sugeridos pela OCDE para melhorar o rendimento dos alunos. Mas a organização alerta que pais e docentes devem ter cuidado com os riscos derivados das novas tecnologias, como o excesso de informação, o plágio, a fraude, as violações de privacidade e o assédio digital.

"Os estudantes que passam mais de seis horas diárias online fora do colégio correm um particular risco de afirmar que se sentem sozinhos na escola, de chegar atrasado e faltar aulas", aponta o estudo.

EFE   

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