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O Novo Papa
Terça, 11 de outubro de 2005, 16h16 
Vaticano lança primeiro livro de Bento XVI
 
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O Vaticano apresentou hoje A revolução de Deus, o primeiro livro de Bento XVI, que reúne todos os discursos feitos pelo papa durante a XX Jornada Mundial da Juventude (JMJ) realizada entre os dias 18 a 21 de agosto em Colônia (Alemanha).

Entre os destaques da obra, estão o discurso da Sinagoga de Colônia e o dirigido aos muçulmanos. O livro foi apresentado pelo vigário de Roma, o cardeal Camillo Ruini, e pelo presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, o arcebispo Stanislaw Rylko, que disseram que a publicação pretende tornar acessíveis aos jovens, aos sacerdotes, aos educadores e ao público em geral o conteúdo dos 12 discursos feitos pelo papa durante jornada.

A primeira parte do livro inclui os pronunciamentos dedicados aos jovens e aos seminaristas, além dos dois feitos durante a Vigília da XX JMJ e na missa final. Depois, há uma seção dedicada ao diálogo ecumênico, reunindo os discursos realizados durante a histórica visita à Sinagoga de Colônia e o dirigido às comunidades muçulmanas. Em seguida, estão os discursos dirigidos aos bispos alemães e às autoridades na despedida do encontro. O livro é fechado com o pronunciamento feito já em Roma, no dia 24 de agosto, no qual Bento XVI fez um balanço da viagem à sua Alemanha natal.

Em seus discursos, Ratzinger pediu que os muçulmanos trabalhassem juntos contra o terrorismo, condenou duramente o nazismo durante a visita à Sinagoga de Colônia e reconheceu "com vergonha e dor" o dano causado pela Alemanha no século XX. O Papa alertou os jovens sobre o "boom do religioso" que transforma a religião em um bem de consumo. "Quando há muito exagero, a religião se transforma em um produto de consumo", afirmou.

Diante dos jovens, o papa condenou o totalitarismo e destacou que não são as ideologias que salvam o mundo. "Não libertam o homem, mas o privam de sua dignidade e o escravizam. Não são as ideologias que salvam o mundo, mas sim dirigir o olhar a Deus, que é nosso criador, o fiador de nossa liberdade, do que é realmente bom e autêntico", afirmou o papa na viagem. O cardeal Ruini disse hoje que, durante a visita a Colônia, Joseph Ratzinger soube combinar a abertura universal e a identidade católica. Além disso, disse que, em seus textos, o papa indicou a cadeia de transformações que muda e renova o mundo.

Ruini lembrou que Bento XVI disse aos jovens que a Eucaristia tem que se transformar no centro da vida e dar sentido ao domingo, "dia de Cristo, dia do inicio da criação e da redenção". O Papa - acrescentou o vigário de Roma - ressaltou nos discursos a abertura universal da Igreja, "como grande família de Deus, que abraça todos os continentes, culturas e nações, o céu e a terra, o passado, o presente e o futuro".

O cardeal aproveitou para denunciar que as revoluções do século XX, "cujo programa comum era não esperar a intervenção de Deus, mas tomar as rédeas do destino do mundo, tinham inevitavelmente que tornar absoluto o que é relativo, sem levar em conta que isso, em vez de libertar o homem, tira sua dignidade e o escraviza". O arcebispo Rylko disse que os discursos de Bento XVI incluíam elementos importantes para um programa pastoral que se constrói em torno de três palavras-chave: buscar, encontrar e adorar.

Rylko lembrou que mais de um milhão de jovens de 197 países dos cinco continentes, 757 bispos e 9 mil sacerdotes participaram da XX JMJ. O grupo mais numeroso foi o italiano, com 120 mil jovens e 104 bispos. Um total de 27 mil voluntários prestaram serviços na JMJ. Além disso, 6.600 jornalistas de todo o mundo, de 4 mil veículos de comunicação, acompanharam o evento.

"A revolução de Deus" foi editado pela Livraria Vaticana e Edições San Paolo. Na primeira edição, em italiano, foram editados 350 mil exemplares, que serão distribuídos em 4 mil pontos de vendas. O livro será lançado em breve em 18 países.
 

EFE

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