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O Novo Papa
Terça, 30 de agosto de 2005, 12h13 
Rebeldes católicos encontram-se com Bento XVI
 
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Um grupo rebelde tradicionalista católico obteve uma vitória ao conseguir uma audiência com o papa Bento XVI, mas ainda parece distante de um acordo doutrinário que o leve de volta ao rebanho de Roma.

O Vaticano e a Sociedade de São Pio X (SSPX) salientaram, após a inédita reunião de segunda-feira, que pretendem encerrar o cisma iniciado há 17 anos em razão da rejeição dos rebeldes às reformas estabelecidas pelo Concílio Vaticano Segundo (1962-65).

Uma das suas principais objeções é o fato de o Concílio ter aberto o diálogo com outras religiões. Bento XVI reafirmou seu compromisso com esta reforma ao se reunir neste mês com judeus, protestantes e muçulmanos na Alemanha. "Bento XVI não vai fazer concessões a respeito do Concílio", disse o diário católico francês La Croix em artigo que analisava a reunião. "Esta condição representa para eles conservadores um limite intransponível."

O bispo Bernard Fellay, dirigente da SSPX, deu a entender que espera concessões, pois declarou após o encontro que seu grupo "reza para que o Santo Padre possa encontrar a força para colocar um fim à crise na Igreja". Franz Schmidberger, padre da SSPX que também participou do encontro, disse ao italiano Il Giornale que a crise é fruto "de muitas distorções surgidas do Concílio e de uma certa forma de entender o ecumenismo e a liberdade religiosa".

A SSPX reúne algumas centenas de milhares de tradicionalistas mundo afora, uma minúscula parcela dos 1,1 bilhão de católicos. Mas o Vaticano mantém contatos com o grupo mesmo após excomungar seu fundador, o arcebispo francês Michel Lefebvre, em 1988. Lefebvre, morto em 1991, foi expulso da Igreja por nomear ilegalmente quatro bispos, inclusive Fellay, que também foi excomungado.

Em 2004, Fellay, que é suíço, criticou duramente o antecessor de Bento XVI, João Paulo II, por entender que sua abertura a outras religiões deixou a Igreja Católica "como uma barca furada". Mesmo discordando a respeito do Concílio, os conservadores esperam que Bento XVI, igualmente apegado à liturgia tradicional, valorize a velha missa em latim, vista pela SSPX como um importante vínculo entre a Igreja e o seu passado.

A missa em latim foi relegada aos livros de história no final da década de 1960, sendo substituída por cultos em línguas locais. Para Lefebvre, isso equivalia a uma reforma "neoprotestante". Atualmente, o Vaticano exige autorização do bispo local para a celebração de missas em latim, mas os tradicionalistas esperam que Bento XVI revogue essa regra ou a atenue, deixando a decisão a cargo de cada pároco.

Ambos os lados aceitaram manter o contato após a reunião, que deveria ser secreta. "Levará claramente algum tempo para vermos aonde essas conversas podem levar", escreveu o jornal Avvenire, da Conferência Episcopal Italiana. "O primeiro passo será um sinal concreto para liberalizar o uso da tradicional missa em latim", disse Schmidberger.

"Isso trará uma atmosfera de mudança na Igreja. Estou convencido de que, ao longo do caminho que adotamos, será possível declarar essas excomunhões nulas ou vazias", completou. Schmidberger disse que Fellay e Bento 16 não discutiram formas de trazer a SSPX de volta à Igreja, mas afirmou que isso pode acontecer no futuro. "Esse é o último dos nossos problemas", declarou.
 

Reuters

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