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O Novo Papa
Sábado, 20 de agosto de 2005, 16h38  Atualizada às 20h57
Papa pede a muçulmanos união contra terrorismo
 
Reuters
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O papa Bento XVI condenou com firmeza hoje o terrorismo, disse que lutar em nome de Deus "deveria nos encher de vergonha" e pediu aos muçulmanos para trabalhar juntos para extirpar a intolerância e a violência.

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Grande parte desses jovens deve passar a noite no local. O Papa, que está hospedado no arcebispado de Colônia, voltará a se encontrar com a multidão em Marienfeld na manhã de domingo, para celebrar a missa de encerramento das Jornadas Mundiais da Juventude.

O Pontífice fez as declarações em Colônia, durante o encontro com representantes da comunidade muçulmana da Alemanha. Ainda comentou que queria compartilhar suas esperanças e suas preocupações, "neste momento particularmente difícil da história".

O fenômeno do terrorismo, que continua semeando morte e destruição em diferentes partes do mundo é um de suas maiores preocupações, afirmou o Bispo de Roma.

"Os que planejam atentados recorrem a todos os meios, inclusive a religião, para se oporem aos esforços de convivência pacífica, leal e serena. O terrorismo, de qualquer origem, é uma opção perversa e cruel que desdenha o direito sacrossanto à vida e corrói os alicerces de toda convivência da sociedade", declarou o papa.

Bento XVI estendeu as mãos aos muçulmanos e lhes disse que, se cristãos e muçulmanos conseguirem extirpar dos corações o sentimento de rancor e opor-se a cada manifestação de violência, será freada "a onda de fanatismo cruel, que põe em risco a vida de tantas pessoas, atrapalhando a paz no mundo".

De acordo com Joseph Ratzinger, a tarefa é árdua, mas não impossível. A vida de cada ser humano - prosseguiu o papa - é sagrada, "tanto para os cristãos, como para os muçulmanos".

O Bispo de Roma acrescentou que as duas religiões monoteístas têm um grande campo de ação para unir-se em defesa dos valores morais fundamentais, como são a dignidade e a defesa dos direitos.

"Se o eco dessa mensagem sumisse dos corações, o mundo estaria exposto às trevas de uma nova barbárie. Só se pode encontrar uma base de união reconhecendo a centralidade da pessoa, superando eventuais diferenças culturais e neutralizando a força destruidora das ideologias", garantiu o papa.

Bento XVI lembrou que, entre cristãos e muçulmanos, as experiências ensinam que o respeito mútuo e a compreensão nem sempre caracterizaram as relações entre ambos.

"Quantas páginas de história dedicadas às batalhas e às guerras empreendidas invocando, de uma parte e de outra, o nome de Deus! Como se combater o inimigo e matar o adversário pudesse agradá-lo. A lembrança destes tristes acontecimentos deveria nos encher de vergonha, sabendo quantas atrocidades foram cometidas em nome da religião", afirmou Ratzinger, em um mea culpa pela parte cristã.

O papa acrescentou que as lições do passado devem servir para evitar que as pessoas caiam nos mesmos erros. Bento XVI ainda afirmou: "queremos buscar o caminho da reconciliação e aprender a viver respeitando a identidade de cada um". Ele também exigiu a defesa da liberdade religiosa,o que, para o papa, é uma necessidade constante e o respeito pelas minorias, "um sinal indiscutível de verdadeira civilização".

O Bispo de Roma ressaltou que a Igreja "olha com estima" os muçulmanos que adoram um único Deus. Ao longo dos séculos, discursou, surgiram "muitas desavenças e inimizades" mas o Sínodo (assembléia que reúne bispos católicos do mundo inteiro) aconselha a todos "que esquecendo o passado, exerçam sinceramente a compressão mútua, defendam e promovam a justiça social, os bens morais, a paz e a liberdade para todos".

Joseph Ratzinger disse também que é muito importante educar bem os jovens, já que a educação é o veículo pelo qual se comunicam idéias e convicções.

"Não há espaço para a apatia e o desinteresse. Não podemos ceder ao medo nem ao pessimismo. É preciso fomentar o otimismo e a esperança. O diálogo ecumênico e cultural entre as duas religiões não pode ser temporário. É uma necessidade vital da qual depende, em grande parte, nosso futuro", assinalou.
 

EFE

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