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O papa Bento XVI se reúne no sábado com líderes da comunidade muçulmana da Alemanha para enfatizar, como o seu antecessor, a importância das boas relações do catolicismo com outras religiões.
O papa, numa visita de quatro dias ao seu país natal, para um encontro da juventude católica, já esteve com grupos protestantes e judaicos, mas a sua reunião com os muçulmanos pode vir a ser mais tensa, devido à sua oposição à entrada da Turquia na União Européia. Antes de se tornar papa, o cardeal Joseph Ratzinger disse que a Turquia deveria buscar o seu futuro numa associação com os países islâmicos, não com a União Européia, de raízes cristãs. A Turquia sempre esteve "em contraste permanente com a Europa", afirmou ele numa entrevista no ano passado.
Membros da Autoridade Religiosa Islâmica Turca, que comanda muitas mesquitas na Alemanha, e o conselho islâmico da Alemanha se encontrarão por um período curto com o papa na residência do arcebispo de Colônia. Cerca de 3,2 milhões de muçulmanos moram na Alemanha. Desses, dois milhões têm origem turca. Políticos alemães questionam o quanto eles se integraram na sociedade, com os conservadores, em particular, argumentando que o multiculturalismo fracassou.
A Alemanha também foi forçada a adotar uma linha mais dura com extremistas islâmicos, depois dos ataques de 11 de setembro. Três dos pilotos suicidas moravam em Hamburgo. Logo depois de eleito papa, Bento XVI afirmou que apreciava o maior diálogo entre cristãos e muçulmanos, tanto em âmbito local quanto global. Um dos desafios mais difíceis do papa é manter relações amigáveis com outras religiões, as quais ele desapontou quando cuidava da doutrina católica, no Vaticano. Ele parece ter adotado uma linha mais branda desde que escolhido chefe da Igreja Católica. O seu antecessor, João Paulo II, morto em abril, tinha no diálogo inter-religioso um dos seus principais objetivos.
Nesta sexta-feira, o papa alemão fez uma visita histórica à sinagoga de Colônia, tornando-se o segundo papa a visitar uma sinagoga. "A Igreja Católica está comprometida, eu reafirmo hoje, com tolerância, respeito, amizade e paz entre os povos, culturas e religiões", afirmou ele. Rafet Ozturk, um dos que deve se encontrar com o papa no sábado, disse à imprensa alemã que teria "um grande simbolismo" se o papa visitasse uma mesquita em Colônia. O papa também se reunirá com o chanceler Gerhard Schroeder e com a líder da oposição conservadora, Angela Merkel, filha de um pastor protestante, e favorita para conquistar o poder nas eleições de setembro.
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