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O Novo Papa
Sexta, 19 de agosto de 2005, 16h39  Atualizada às 16h39
Bento XVI lamenta a "cacofonia" dos cristãos
 
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O Papa Bento XVI lamentou hoje que a cacofonia de cristãos sobre questões éticas comprometa sua credibilidade na sociedade, durante um encontro ecumênico no segundo dia de sua presença em Colônia para as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ).

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O Papa reiterou a intenção, manifesta no dia seguinte de sua escolha para o trono de São Pedro, há quatro anos, ter como "prioridade" de seu pontificado "o retorno à plena e visível unidade dos cristãos" divididos entre católicos, ortodoxos, protestantes ou anglicanos.

Mas ele destacou a dificuldade da tarefa, uma vez que as diferentes correntes do cristianismo não transmitem aos homens uma "resposta comum" sobre "as grandes questões éticas".

"Por causa das contradições neste domínio, o testemunho evangélico e a orientação ética que devemos aos fiéis e à sociedade perdem sua força, tomam com freqüência características vagas", estimou Bento XVI.

A condenação pela Igreja Católica do aborto, da contracepção, da procriação medicalmente assistida, ou o casamento entre homossexuais, não é partilhada por todos os cristãos.

As questões éticas são também um tema de divisão no seio do Conselho Ecumênico das Igrejas, o organismo que reúne, em nível mundial, uma parte das correntes protestantes, ortodoxas e anglicanas.

Desde o início de seu pontificado, Bento XVI afirmou várias vezes o "caráter sagrado da vida humana, da concepção a seu fim natural", apoiando principalmente os bispos italianos que tomaram posição contra um referendo sobre a procriação assistida.

Nesta sexta-feira, ante trinta "representantes de diversas confissões cristãs" na Alemanha, país onde protestantes e católicos compõem duas comunidades de mesmo tamanho, o Papa lembrou que os cristãos esperavam "novos passos concretos de reaproximação".

"Eu também os espero", disse ele, deixando a entender que a responsabilidade pelas divisões não repousava apenas sobre a Igreja Católica.

Mas, destacou o Papa, esta reaproximação "deve, evidentemente se realizar com sinceridade e realismo, com paciência e perseverança, na plena fidelidade aos preceitos da consciência".
 

AFP

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