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O Novo Papa
Domingo, 24 de abril de 2005, 05h01  Atualizada às 14h22
Meu programa de governo é servir a Deus, diz Papa
 
AP
Bento XVI acena para a multidão na Praça São Pedro durante passeio no papamóvel descoberto
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O papa Bento XVI deu início oficial ao seu pontificado na manhã de hoje em missa solene realizada na Praça de São Pedro, transmitindo uma mensagem contrária à austera e conservadora que manteve enquanto cardeal. Bento XVI salientou que não irá impor suas idéias, e que seu verdadeiro programa de governo é se colocar junto a toda a Igreja a escutar a palavra e a vontade de Deus. Depois da cerimônia, Bento XVI quebrou o protocolo e passeou em meio à multidão no papamóvel descoberto. Cerca de 500 mil fiéis assistiram à missa em Roma, sendo apenas 350 mil na Praça de São Pedro.

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A solene missa começou pouco antes das 10h locais (5h em Brasília) no interior da Basílica de São Pedro, onde o pontífice orou diante do túmulo do Apóstolo Pedro. Os cardeais aguardaram ao redor do Altar da Confissão, no centro da Basílica, sob o qual se encontra o túmulo.

Depois da reza fechada, o Papa e os cardeais saíram em procissão até o altar da Praça de São Pedro, onde se celebrou a missa e os rituais prosseguiram diante dos fiéis. Durante a procissão, foram cantadas as Decidas Regiae, que substituem o canto de ingresso e o ato penitencial.

Depois da leitura do Evangelho em grego, o cardeal protodiácono, o chileno Jorge Arturo Medina Estévez - o mesmo que anunciou ao mundo que a Igreja tinha novo Papa no último dia 19 - impôs ao Papa o Pálio, antiga insígnia episcopal. A vestimenta simboliza o Salvador, que encontrando o homem como a ovelha descarrilada o carrega a suas espaldas. A estola foi confeccionada com lã de cordeiro.

Em seguida, vice-decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Angelo Sodano, entregou o Anel do Pescador, diferente do usado por João Paulo II. O anel leva inciso o mesmo tema que o Selo Papal de chumbo, o que usa o pontífice para carimbar documentos. O anel mostra Pedro jogando as redes para pescar.

Logo depois, doze pessoas, em lembrança do número dos Apóstolos, ajoelharam-se perante a um sorridente Papa. Três cardeais, um bispo, um presbítero, um diácono, um religiosos, uma religiosa, um casal e dois rapazes pediram a bênção a Bento XVI, que se deteve para falar com cada um deles.

Homilia
Em seguida, o Papa deu início a sua homilia, na qual falou sobre os princípios que deverão reger seu pontificado. Em italiano, Bento XVI, disse que seu "verdadeiro" programa de governo não é fazer sua vontade, nem seguir suas próprias idéias, mas se colocar junto a toda a Igreja a escutar a palavra e a vontade de Deus. e deixar-se dirigir por Ele.

"Queridos amigos. Neste momento não necessito de um programa de governo. Alguns aspectos do que considero minha tarefa, já pude expor em minha mensagem da quarta-feira. Meu verdadeiro programa é não fazer minha vontade, não seguir minhas idéias, mas de me colocar, junto a Igreja, à escuta da palavra e da vontade do Senhor e me deixar dirigir por Ele", afirmou.

Bento XVI afirmou que embora há de assumir uma tarefa que supera a capacidade humana sabe que não está só, que Deus e os homens lhe acompanham. O pontífice assegurou que estes dias, nos quais se viveu a doença e morte de João Paulo II todos viram que a Igreja está viva, que é jovem e que leva em si mesma o futuro do mundo.

O Papa pediu aos católicos que rezem por ele, para que não tenha medo e fuja dos lobos e deixe abandonadas suas ovelhas (os fiéis). "Neste momento só posso dizer: rogai por mim, para que aprenda a amar cada vez mais o Senhor. Rogai por mim, para que aprenda a querer cada vez mais seu rebanho, a vós, à Santa Igreja, a cada um de vós, tanto pessoal como comunitariamente", disse Ratzinger.

Bento XVI concluiu sua homilia fazendo um chamado aos católicos, o mesmo que fez João Paulo II quando foi eleito Papa em 1978, para que "não tenham medo e abram seus corações a Cristo", assegurando que Jesus não tira nada e nele encontrarão a vida verdadeira. O Papa acrescentou que João Paulo II falava aos fortes, aos poderosos do mundo, "os quais tinham medo que Cristo pudesse tirar algo de seu poder, se o tivessem deixado entrar e tivessem concedido a liberdade a fé".

Depois de lembrar as palavras de Wojtyla, Bento XVI acrescentou: "também hoje eu queria dizer a todos vós, sobretudo aos jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, e dá tudo. Quem se dá a ele, recebe o cento por um. Sim, abri, abri de par em par as portas a Cristo, e encontrareis a verdadeira vida".

Comunhão e saudação aos fiéis
Depois da fala de Bento XVI, a missa teve prosseguimento. Fiéis de diversos países participaram, falando em línguas como árabe, italiano, alemão e português. Pão e vinho foram levados para o ofertório, após a bênção do Papa. Muitos puderam comungar em seguida. No prosseguimento da solenidade, o Papa recitou o Regina Coeli, que substitui o Ângelus em tempo de Páscoa

No fim da missa, que durou duas horas e meia, o Papa percorreu a praça de São Pedro entre as pessoas a bordo de um papamóvel descoberto. Em meio a uma verdadeira multidão, que o aplaudiu sem parar, o pontífice deixou o altar da praça de São Pedro em um automóvel branco, sem aparentes medidas de segurança. O pontífice fez o percurso acompanhado do mestre de cerimônias, o arcebispo Piero Marin, e de seu secretário particular.

Bento XVI, feliz, sereno e sorridente, não parou dar bênçãos, enquanto uma música de Bach soava na praça e os sinos da Basílica de São Pedro repicavam. Os milhares de fiéis presentes, muitos dos quais carregavam bandeiras, aclamaram o Papa. Bento XVI deixou a Praça ao cruzar o Arco dos Sinos, concluindo assim a Missa solene de Início de pontificado.

Autoridades e segurança
A entronização formal do Papa contou com a presença de aproximadamente 40 chefes de Estado de todo o mundo e de líderes de outras crenças religiosas.

As autoridades italianas adotaram as mesmas medidas tomadas para o funeral de João Paulo II, em oito de abril. O espaço aéreo de Roma foi fechado para o tráfego civil, e foram mobilizados agentes dos serviços de segurança, voluntários da defesa civil e empregados dos serviços municipais.

Vários aviões radar Awacs da Otan vigiam, a pedido das autoridades italianas, desde ontem até segunda-feira o espaço aéreo do Vaticano. Oito postos médicos, 60 ambulâncias, uma centena de médicos, entre 200 e 300 enfermeiras também foram posicionados para ajudar os fiéis.

Entre as representações internacionais presentes se destacou a importante delegação da Alemanha, encabeçada pelo chanceler Gerhard Schroeder e o presidente Horst Koehler e que também incluiu o irmão mais velho do Pontífice, Georg Ratzinger. Também viajaram a Roma os reis da Espanha, Juan Carlos e Sofia, e os presidentes colombiano Alvaro Uribe, o paraguaio Nicanor Duarte, o salvadorenho Elías Antonio Saca e o argentino Néstor Kirchner. O governador da Flórida, Jeb Bush, também esteve presente.

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Redação Terra