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Joseph Ratzinger, eleito Papa hoje, pertenceu à Juventude Hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial, quando isso era obrigatório na Alemanha, segundo sua autobiografia. Mas ele nunca foi membro do partido nazista e sua família se opôs ao regime de Adolf Hitler, segundo biógrafos.
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As experiências de Ratzinger durante a guerra foram fonte de polêmica em alguns jornais que investigaram o passado do cardeal alemão nos últimos dias, quando ele despontou como favorito para suceder a João Paulo II.
Em sua autobiografia Marco: Memórias: 1927-1977, Ratzinger conta que ele e seu irmão Georg foram alistados pela Juventude Hitlerista quando era obrigatório ser membro da organização. Fundada em 1922 e com sede na Baviera, Estado natal de Ratzinger, a Juventude Hitlerista foi uma organização paramilitar do partido nazista. Ela foi proscrita em 1923, mas recriada em 1926, um ano depois do reconhecimento do Partido Nacional-Socialista.
Membros da Juventude Hitlerista usavam uniformes semelhantes aos do partido nazista. "Nem Ratzinger nem nenhum de seus parentes foi nacional-socialista", escreveu John Allen no seu livro Cardeal Ratzinger: O Cumpridor da Fé do Vaticano.
Ratzinger disse, segundo Allen, que as críticas que seu pai fazia aos nazistas obrigaram a família a se mudar quatro vezes. "Como seminarista, ele foi alistado durante um curto período na Juventude Hitlerista, especialmente no começo da década de 1940, embora nunca tenha sido membro do partido nazista", disse o vaticanista Allen em artigo publicado na revista National Catholic Repórter em 1999. "Em 1943, ele foi conscrito em uma unidade antiaérea que protegia a fábrica da BMW nos arredores de Munique", afirmou o biógrafo.
Em seguida, ainda segundo o especialista, ele teria sido enviado para a fronteira da Áustria com a Hungria para construir armadilhas contra tanques. "Depois de ser embarcado de volta para a Baviera, ele desertou. Quando a guerra acabou, ele era prisioneiro de guerra dos norte-americanos."
Allen disse que, sobre a época de Hitler, "Ratzinger diz que viu os nazistas torcerem e distorcerem a verdade". "Suas mentiras sobre judeus, sobre genética, eram mais do que exercícios acadêmicos. Pessoas morreram aos milhões por causa deles."
O jornalista alemão Peter Seewald, que publicou em livro uma longa entrevista com Ratzinger em 1996, intitulada O Sal da Terra, disse que o novo Papa "claramente via Hitler e o II Reich como um inimigo," tanto da sua família quanto da Igreja.
O pai de Ratzinger "viu que uma vitória de Hitler não seria uma vitória para a Alemanha, mas uma vitória para o Anticristo", escreveu a editora Ignatius Press, dos Estados Unidos, em um sumário do livro. "Em 1943, ainda no seminário, ele foi alistado aos 16 anos no corpo antiaéreo alemão", disse a Ignatius. "Embora ele se opusesse aos nazistas, foi obrigado a se juntar a eles em uma idade prematura."
Ratzinger treinou na infantaria alemã, mas uma doença subseqüente o manteve afastado "dos rigores usuais do serviço militar", segundo a editora. "Conforme os aliados se aproximavam do seu posto, em 1945, ele escapou dos nazistas e voltou para a casa da sua família, em Traunstein, justo quando os norte-americanos estabeleceram seu quartel-general na casa dos Ratzinger", afirma a editora. Ele então foi levado para um campo de prisioneiros dos EUA. Foi libertado meses depois do final da guerra, em 1945.
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