Uma porta-voz do Ministério da Justiça comunicou hoje sobre esta decisão diante de eventuais receios que possam surgir em relação à total abertura dos arquivos em alguns países que assinaram os acordos e na Cruz Vermelha Internacional, que é responsável pela proteção dos dados.
A determinação acontece após o anúncio feito na terça-feira pela ministra Brigitte Zypries, que disse que a Alemanha permitiria, pela primeira vez, que pesquisadores tivessem acesso ao material mantido em Bad Arolsen, oeste do país.
Nesses arquivos está guardada a documentação sobre 17,5 milhões de vítimas civis do nazismo, entre pessoas confinadas em campos de concentração ou de extermínio, trabalhadores forçados e outros perseguidos.
O uso desse material é administrado pelo Serviço de Busca Internacional, criado após a II Guerra Mundial para ajudar os familiares das vítimas a localizar seus parentes ou ter informações sobre seu paradeiro.
O regulamento sobre os arquivos foi criado em 1955, com os Acordos de Bonn, assinados por onze países - oito da Europa ocidental e mais Polônia, EUA e Israel.
Para publicar essa documentação será preciso alterar as leis, acrescentou a porta-voz do Ministério da Justiça.
Zypries iniciará conversas propondo a modificação dos acordos na próxima reunião dos Estados membros, que acontecerá no dia 17 de maio em Luxemburgo.
Segundo a porta-voz, o objetivo da ministra é possibilitar que essas mudanças sejam feitas com a maior rapidez possível.
Historiadores, principalmente dos EUA, assim como organizações judias americanas, reivindicavam há décadas a abertura dos arquivos para pesquisa e consideram que não ter acesso aos documentos significa relegar as vítimas ao esquecimento.
O anúncio de Zypries antecede a viagem da chanceler alemã, Angela Merkel, aos EUA, nos dias 3 e 4 de maio, onde, além de se reunir com o presidente George W. Bush, pronunciará um discurso no ato de aniversário do American Jewish Committee.

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