"A energia nuclear civil é, sem dúvida alguma, mais segura que em 1986", considerou Ken Brockman, diretor de segurança das instalações deste setor energético na Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA).
Foram efetuadas "melhorias técnicas importantes" nos reatores e nos recintos onde estão confinados, assim como nos dispositivos de segurança e nos procedimentos para enfrentar uma crise, acrescentou.
"Não temos visto outra Three Mile Island, outra Chernobyl. Não tem sido uma questão de sorte. Deve-se às ações corretivas que foram tomadas", acrescentou Brockman.
A Autoridade de Segurança Nuclear (ASN) francesa considera em seu informe anual que a França, e em geral a Europa, fizeram grandes progressos a partir de Chernobyl.
Por outro lado, acrescentou a ASN, foi criada a Associação de Representantes das Autoridades de Segurança da Europa Ocidental (WENRA, em inglês) para "desenvolver um enfoque comum voltado para a segurança nuclear e sua regulamentação".
Jean Bernard Cherié, vice-diretor do Instituto francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), considera que a situação melhorou também com a aplicação de várias convenções internacionais.
Atualmente, "cada membro deve elaborar a cada três anos um relatório detalhado, sobretudo, no que diz respeito ao âmbito nuclear", acrescentou.
Este otimismo não é compartilhado pelas organizações que se opõem à energia nuclear. Estão de acordo em que houve progressos em alguns pontos graças a Chernobyl, mas estão convencidas de que a situação se deteriorou em outros aspectos.
Para a rede "Sair do Nuclear", que reúne 720 associações francesas, "o perigo de um novo Chernobyl é hoje maior do que nunca, particularmente na França, onde os reatores não apenas estão envelhecendo, como também estão submetidos a planos de restrições orçamentárias".
Um porta-voz da organização ambientalista Greenpeace, Frédéric Marillier, denuncia "o envelhecimento dos reatores nucleares" no mundo.
Ele considera "muito preocupante o fenômeno da competição entre as companhias elétricas (...) com a maior exigência de produtividade das centrais nucleares e cortes nos gastos com segurança".
Marillier resume globalmente a situação atual como "mais arriscada do que era em 1986", quando havia reatores quase novos no mundo. Uma visão diametralmente oposta à oficial.

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