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 Ex-oficial revela dados sobre ajuda de Cuba à esquerda
18 de abril de 2006 17h21 atualizado às 17h43

Cuba, acusada na década de 60 de exportar sua revolução, prestou ajuda política e militar à esquerda de Argentina, Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela, através da denominada "Operação Fantasma" revelada em Havana por um ex-oficial cubano.

Em seu livro "Tania la guerrillera y la epopeya suramericana del Che", recém-publicado, Ulises Estrada, 71 anos, narra detalhes de como em sua juventude participou da ''Operação Fantasma'', sob as ordens do comandante Manuel Piñeiro "Barbarroja", quem capitaneou por mais de três décadas a inteligência política cubana.

Estrada, que trabalha como jornalista, atualmente, conta que em outubro de 1962 o lendário "Barbarroja" (1933-1998), vice-ministro do Interior nos anos 60 e quem mais tarde foi chefe do Departamento para a América do Partido Comunista de Cuba, o encarregou de trabalhar num novo departamento, a Seção de Operações Especiais (MOE).

"A MOE tinha como única responsabilidade a condução de diversas operações clandestinas vinculadas à solidaridade de nosso país para com as diferentes organizações e movimentos revolucionários", assinalou.

Essas ações deviam realizar-se "com o mais absoluto sigilo, sem deixar traços entre nossos próprios amigos (entre eles, os do chamado campo socialista e os partidos comunistas latino-americanos), evitando a todo o custo que fossem detectadas pelos órgãos de inteligência e da contra-inteligencia do inimigo", acrescenta.

A "Operação Fantasma" incluía várias operações segundo os países, entre elas a "Matraca" e a "Sombra" que se desenvolviam na Bolívia, com a participação de vários oficiais cubanos, entre eles Abelardo Colomé Ibarra, conhecido como comandante 'Furri', atualmente ministro do Interior em Havana. Mediante a operação 'Matraca' o MOE estava contribuindo para a entrada clandestina no Peru de uma pequena coluna guerrillera do futuro Exército de Libertação Nacional, liderada por Héctor Béjar e integrado pelo poeta Javier Heraud.

A operação "Sombra" procurava facilitar a entrada na Argentina de um grupo, com os cubanos Hermes Peña e Alberto Castelhanos, sob as ordens do jornalista Jorge Ricardo Masetti, que fundariam uma frente guerrilheira. Na Colômbia apoiava-se nos que depois constituiriam o Exército de Libertação Nacional e, no Uruguai e na Venezuela "o objetivo era preparar os aparelhos militares dos partidos comunistas de ambos os países". Durante mais de 30 anos, Havana negou sua ajuda a movimentos de esquerda na América Latina, e só nos anos 90 Castro o admitiu publicamente, fazendo uma só exceção: o México.

AFP
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