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Manifestações antiguerra reúnem milhões pelo mundo

15 de fevereiro de 2003 18h28 atualizado em 16 de fevereiro de 2003 às 15h22

Mais de quatro milhões de manifestantes uniram forças ontem ao redor do mundo para enviar uma dura mensagem ao presidente dos EUA, George W. Bush: "Dê uma chance à paz e não se apresse para entrar na guerra contra o Iraque."

Em centenas de cidades ao redor do mundo, de Bangcoc a Bruxelas, de Camberra a Calcutá, os manifestantes tomaram as ruas para ridicularizar Bush como um instigador da guerra sedento de sangue. Na maior demonstração do "poder popular" desde a Guerra do Vietnã, eles desdenharam a posição de Bush.

"Esta é uma guerra somente sobre petróleo. George W. Bush nunca deu a mínima para direitos humanos," disse o prefeito de Londres, Ken Livingstone, durante a manifestação gigante em Londres. Cerca de um milhão de pessoas marcharam através da capital britânica, na maior manifestação pela paz na histórica política do país.

"Dê uma chance à paz, dê uma chance à paz," gritava o pacifista americano Jesse Jackson, para delírio da multidão. A estrela de Hollywood Tim Robbins, manifestou o alcance global dos protestos, afirmando: "Este movimento pela paz está unido."

Em Roma também houve comparecimento gigante. Sob um mar de bandeiras com as cores do arco-íris, um milhão de pessoas caminharam pelas ruas. Aposentados grisalhos e adolescentes com cabelos rastafari marcharam lado a lado em uma atmosfera de carnaval.

Na França, um dos maiores oponentes à guerra, um manifestante disse: "Os americanos estão estressados pelo 11 de setembro e agora estão ficando totalmente descontrolados."

O ministério do Interior francês estimou que pelo menos 300 mil pessoas participaram dos protestos no país. A oposição da França à guerra tem apoio na Europa de Berlim, onde cerca de 500 mil pessoas foram ao maior protesto na Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Os alemães levavam cartazes com os dizeres "Não à guerra por petróleo", "Faça Amor Não a Guerra"; e "Guerra? Não, Obrigado!"

"A guerra somente enfraquecerá o povo iraquiano e manterá Saddam Hussein no poder," disse Roselyn Laforge, assistente social belga.

A mesma onda de "antiamericanismo" cobriu o norte e o leste da Europa, que já está profundamente dividida sobre um ataque ao Iraque. "A maior ameaça à paz são os Estados Unidos, não o Iraque," disse um aposentado na Finlândia.

Um cartaz na Rússia mostrava uma fotografia de Bush com as palavras: "Assassino: Saia das terras dos outros." Mais florestas, menos Bushes," dizia um cartaz em Estocolmo que fazia um trocadilho com o nome do presidente que quer dizer arbusto. "Bush - câncer do planeta," dizia outro em Barcelona.

Na Croácia, centenas de manifestantes mascarados queimaram uma bandeira dos EUA na frente da embaixada norte-americana em Zagreb.

Ásia e Oceania

O dia começou com uma série de manifestações na Ásia. No Japão, único país que já foi atacado com armas nucleares, no final da Segunda Guerra Mundial, cerca de 300 pessoas se reuniram em frente à Embaixada dos EUA em Tóquio, gritando frases contra a guerra. "O que os Estados Unidos estão fazendo é errado. Estamos à beira da Terceira Guerra Mundial," disse a dona de casa japonesa Mariko Ayama.

Australianos também fizeram o maior protesto no país desde os atos contra a Guerra do Vietnã, há 30 anos. Neste domingo, os australianos voltaram a se manifestar. Mais de 500 mil pessoas protestaram em quatro capitais regionais da Austrália contra uma guerra no Iraque, concluindo, assim, três dias seguidos de marchas pacifistas, as maiores da história deste país.

Mundo Árabe

"O mundo inteiro está contra esta guerra. Somente uma pessoa quer," disse o adolescente muçulmano Bilqees Gamieldien na Cidade do Cabo.

No mundo árabe, dezenas de milhares de sírios e palestinos moradores de Damasco tomaram as ruas para manifestar oposição a uma guerra dos EUA contra seus colegas árabes iraquianos.

Cerca de 10 mil pessoas carregando bandeiras do Iraque, da França e da Alemanha, além de fotos de Saddam Hussein, fizeram uma passeata pacífica, mas barulhenta, através de Beirute, capital do Líbano.

O vice primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, fez o seu protesto solitário na cidade italiana de Assis, onde rezou em silêncio em frente ao túmulo de São Francisco, patrono da paz.

"O povo do Iraque quer paz e milhões de pessoas ao redor do mundo estão se manifestando pela paz, então que todos trabalhemos pela paz e pela resistência à guerra," disse.

Tumulto em Atenas

O único problema sério aconteceu em Atenas, capital da Grécia, onde manifestantes queimaram um carro e quebraram janelas de lojas e de um banco no centro da cidade, durante passeata para a Embaixada dos EUA que, conforme a polícia local, reuniu 100 mil pessoas.

Policiais gregos atiram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão e prenderam 13 manifestantes. Quatro policiais sofreram ferimentos leves.

Reuters
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