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Papa defende paz e direito de existir de Israel

09 de janeiro de 2006 17h49

O papa Bento XVI defendeu a paz e o direito de existir do Estado de Israel em seu tradicional discurso ao corpo diplomático credenciado junto ao Vaticano nesta segunda-feira. O religioso também pediu liberdade de informação e de religião e maior esforço para dar dignidade às pessoas.

Falando aos representantes dos 174 países que têm relações diplomáticas com a Santa Sé, inclusive a embaixadora brasileira Vera Barrouin Machado, Bento XVI disse que a Igreja Católica e a diplomacia internacional têm em comum a missão da paz.

A paz, de acordo com o pontífice, permanece ameaçada em várias áreas do mundo e o caminho para chegar a ela é a verdade e o conhecimento das igualdades e desigualdades recíprocas. Desta forma, segundo o papa, os problemas podem ser resolvidos e os conflitos resolvidos segundo a justiça, caso contrário, há incompreensão e risco de violência.

"Essas considerações podem ser aplicadas naquela área nevrálgica do cenário mundial que é a Terra Santa. Nela, o Estado de Israel deve poder existir pacificamente, de acordo com o direito internacional. Da mesma forma, o povo palestino deve poder desenvolver serenamente as próprias instituições democráticas", disse.

Informação
O papa, que fez seu pronunciamento na Sala Régia do palácio Apostólico, no Vaticano, vê o risco de um choque de civilizações, perigo que se tornou mais sério por causa do terrorismo, que condenou. "Nenhuma circunstância pode justificar tal atividade criminosa, que é ainda mais condenável quando usa a religião como escudo", disse o papa.

De acordo com Bento XVI, a verdade é uma contribuição essencial para a coexistência pacífica dos povos e de culturas diferentes. Por isso, ele vê como fundamental a liberdade de informação. "Pede-se antes de mais nada que seja eliminado qualquer obstáculo ao acesso à informação através da imprensa e dos modernos meios informatizados", disse o papa.

Entre os vários âmbitos em que a liberdade deve ser garantida, o pontífice colocou o da religião. Segundo ele, a liberdade de religião hoje é gravemente violada. "A Santa Sé pede liberdade não apenas para a Igreja Católica mas para todos", afirmou.

"Indigência"
Recordando que no curso da história diferentes convicções sobre a verdade provocaram conflitos sociais, políticos e guerras religiosas, o papa mencionou as culpas da Igreja Católica. "Foram cometidos graves erros no passado por membros da Igreja Católica e de suas instituições, mas ela os condena e não hesitou em pedir perdão."

O papa citou outras áreas onde há conflitos: O Líbano, o Iraque, "vítima de ataques terroristas diários", e a África, sobretudo a região dos Grandes Lagos. Mas, segundo Bento 16, "a paz não é apenas o silêncio das armas", e insistiu na defesa dos desfavorecidos. "Menos da metade do que é gasto em armamentos seria mais do que suficiente para acabar com a indigência de milhões de pessoas", disse o papa.

Apelo aos ricos
O religioso afirmou que é importante favorecer novas dinâmicas nas relações internacionais, para que se transformem em fatores de manutenção da paz. "Não é possível falar de paz onde as pessoas não têm o mínimo indispensável para viver com dignidade", disse o papa, citando as vítimas da fome, os refugiados e os emigrantes.

Bento XVI condenou também o tráfico de seres humanos, que definiu como "uma vergonha do nosso tempo". Ao encerrar o discurso, o papa fez um apelo aos países mais ricos. "A verdade deseja que nenhum dos países prósperos fuja das próprias responsabilidades e do dever de ajudar. Menos da metade das imensas somas destinadas aos armamentos seria mais do que suficiente para tirar da indigência o exterminado exército de pobres", concluiu.

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