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Morre a ex-ministra francesa François Giroud

19 de janeiro de 2003 16h02

A jornalista e ex-ministra francesa Françoise Giroud morreu neste domingo no hospital norte-americano de Neuilly (oeste) vítima de um traumatismo craniano, anunciou sua filha. Françoise Giroud, 86 anos, a única mulher que dirigiu um meio de comunicação durante 20 anos - a revista L'Express - sofreu uma queda na quinta-feira à noite e entrou em coma na sexta-feira.

Ela dirigiu também a redação da revista Elle, antes de fundar a L'Express, em 1953, com Jean-Jacques Servan-Schreiber - uma das publicações mais conhecidas e influentes da França. Desde 1993 escrevia sobre televisão para Le Nouvel Observateur. Ministra da Condição Feminina de 1974 a 1977, François Giroud defendeu durante quase 60 anos suas convicções contra a guerra na Argélia e pelos direitos das mulheres. Nasceu em Genebra (Suíça) no dia 21 de setembro de 1916 de uma família de origem russa e turca, tendo sido agente da resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Detida em 1943 pela Gestapo, ficou presa em Paris.

Durante a presidência de Valery Giscard d'Estaing, Françoise Giroud se lançou à política. Foi primeiro secretária de Estado para a condição feminina (1974-1976) e depois Ministra da Cultura (1976-1977). Vice-presidente do Partido Radical (1977-1979), em 1981, apoiou François Mitterrand.

Desde 1993 era editorialista de TV da Nouvel Observateur. Além de integrante do júri do prêmio Femina desde 1992, publicou numerosas obras, entre elas Si je mens (1972), Le bon plaisir (1979), Une femme honorable (1981), Jenny Marx ou la femme du diable (1992) e em 1997 sua autobiografia, Arthur ou le bonheur de vivre.

O presidente francês, Jacques Chirac, divulgou um comunicado no qual expressa sua "tristeza" com a morte de uma mulher que "simbolizou a aspiração de todas as mulheres de ocupar o lugar que lhes cabe em nossa sociedade" e que contribuiu "para a evolução da sociedade francesa para uma era de mais equilíbrio e igualdade".

O prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoe, lembrou que Giroud "lutou pelos direitos da mulher e por um jornalismo independente, sério, sem concessões".

AFP
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