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 Cuba recebe 2006 com festa e combate à corrupção
31 de dezembro de 2005 18h07 atualizado às 18h14

Cuba tem comemorado com um amplo programa os 47 anos da vitória da revolução liderada por Fidel Castro, com festas em toda a ilha, diante de um ano novo no qual se enfrenta uma ofensiva a favor da economia e contra a corrupção.

Em 1 de janeiro de 1959, as forças revolucionárias de Fidel Castro tomaram o poder após derrubar o ditador Fulgêncio Batista, que fugiu do país no mesmo dia. Desde então, Fidel Castro - que em agosto fará 80 anos - governa a ilha, o único país comunista do ocidente.

As festividades se estenderão até 2 de janeiro, com danças e espetáculos de diversas manifestações culturais, que terão como principais palcos as ruas, praças, parques, teatros e outros espaços.

Esse ano, Cuba considera que tem um motivo a mais para comemorar de bom humor os 47 anos da revolução: um crescimento econômico de 11,8%, o mais alto da história da revolução, mesmo com as adversidades climáticas provocadas pelos vários furacões e uma seca severa.

No cálculo do PIB estão incluídas as despesas destinadas à educação, saúde e esportes, setores que a população da ilha recebe gratuitamente, mas além desse valor agregado ao crescimento econômico, foi incorporado o da exportação desses serviços a outros países, como a Venezuela.

Nesses 47 anos, Cuba sobreviveu ao golpe que foi o fim do bloco soviético, que deixou o país em uma profunda crise econômica e obrigou a se abrir para o turismo, hoje o setor mais dinâmico de sua economia, com um crescimento de 12,3% em 2005. A isso se somam o investimento estrangeiro e uma tímida abertura à iniciativa privada.

A abertura está em retrocesso por causa de uma volta à centralização da economia e do saneamento amparado em uma cruzada contra a corrupção, promovida pelas mais altas autoridades do país.

O próprio Fidel Castro insistiu há vários meses nesse aspecto, e na última sessão parlamentar do ano afirmou que "não ficará nada que não esteja sob controle" e que a batalha contra o roubo e a corrupção será vencida.

Além disso, Fidel declarou 2006 como o ano da "revolução energética" em Cuba, com a perspectiva da implementação de um programa que definitivamente livrará os cubanos do incômodo que os blecautes e os longos cortes de luz causaram no verão passado.

O novo programa promete oferecer um milhão de quilowatts adicionais à atual capacidade de geração elétrica instalada, que aumentará para 3.200 megawatts. Se a meta for atingida, em meados de 2006 sobraria eletricidade, que aumentaria quatro vezes em relação à capacidade de consumo da ilha, segundo os cálculos oficiais.

O projeto vai acompanhado de um plano de economia de energia, sustentado em uma nova tarifa elétrica que penaliza os altos consumidores e eleva o custo do serviço em até 300%, depois de manter durante anos preços subvencionados. "Estou convencido de que isto terá repercussão mundial (...) Tudo que nós estamos fazendo, o mundo terá que fazer" disse Fidel Castro, que espera economizar dois terços dos US$ 150 milhões de despesas com combustíveis em 2006.

À par dessa medida, o líder cubano se comprometeu com a reabilitação do sistema de distribuição energética do país e também a acabar definitivamente com o desperdício.

EFE
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