Notícias » Mundo » Mundo

 França entra em 2006 em estado de alerta
31 de dezembro de 2005 15h03 atualizado às 19h17

As forças de ordem na França estão em estado de alerta para evitar que na última noite do ano, na qual tradicionalmente centenas de carros são queimados, ressurja a violência que castigou aos bairros periféricos das principais cidades do país há dois meses.

É a primeira vez em várias décadas que a França recebe o ano novo em estado de emergência, uma medida de exceção decretada em 8 de novembro, em meio ao calor da revolta, e prorrogada durante três meses, até 21 de fevereiro.

Em Rennes, no noroeste do país, dois jovens, levando uma garrafa de gasolina e fósforos, foram detidos para interrogatório na noite passada, depois de um incêndio, considerado suspeito, de uma unidade de um colégio. Os bombeiros também apagaram as chamas de um carro e de uma lixeira perto do colégio. Quatro jovens do bairro tinham sido detidos horas antes em uma investigação sobre uma violação coletiva.

Embora as autoridades digam que não foram detectados sinais de que pode haver distúrbios esta noite, cerca de 25 mil agentes (10% do total) estão mobilizados em todo o país.

Se a última noite de 2005 transcorrer como de costume (no ano passado 333 carros foram queimados em todo o país), "se poderá enfim dizer que a página dos distúrbios está virada", comentou um policial. Além da forte presença policial, medidas excepcionais foram tomadas em várias cidades para evitar incidentes.

Assim, os prefeitos da capital francesa e de departamentos dos arredores de Paris ou de outras regiões onde houve distúrbios no outono proibiram a venda de combustíveis em vasilhas, a fim de evitar a confecção de coquetéis Molotov.

Em Paris, o prefeito regional proibiu também a venda de bebidas alcoólicas para consumo externo em vários bairros da cidade, inclusive na Avenida Champs-Elysées, onde o tráfego estará restrito e será proibido estacionar. A cada 31 de dezembro nos últimos anos, entre 400 e 500 mil pessoas vão à chamada "avenida mais bonita do mundo" para dar boas-vindas ao ano novo.

Na capital, 4,5 mil agentes estão mobilizados, o mesmo número de um ano atrás. Os oficiais receberam recomendações de "firmeza" para enfraquecer e reprimir todos os atos de violência.

Haverá patrulhas motorizadas nos 20 distritos da capital e vigilância especial nas estações de metrô e de trens, assim como nos vagões, e duas fragatas navegarão pelo Sena.

As forças de ordem estarão muito atentas aos deslocamentos em direção a Paris ou bairros periféricos onde possam ser produzidos distúrbios.

Além disso, haverá controles dos níveis alcoólicos no sangue dos cidadãos, indicaram as autoridades.

Em muitos dos subúrbios da região de Paris que foram cenário da violência urbana no outono, as associações se organizaram para evitar possíveis conflitos.

Assim, por iniciativa de Banlieues du Limpe e outras associações, uma caravana, composta por 30 artistas, acrobatas e atletas conhecidos, percorrerá alguns bairros essa noite para festejar a chegada do novo ano com os habitantes.

Essa iniciativa, segundo seus organizadores, responde a uma necessidade de intercâmbio e fraternidade. Também se pretende dar outra imagem dos bairros periféricos, cujos habitantes poderão se aproximar do microfone da caravana para desejar um feliz ano.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.