"Nós tivemos de enfrentar quadrilhas organizadas", cujos membros tinham antecedentes por delinqüência, afirmou Sarkozy em entrevista a um canal de televisão francês.
O ministro disse que, entre os detidos pelos distúrbios, um em cada dois menores levados à Justiça tinham antecedentes policiais, enquanto 70% dos maiores de idade possuíam histórico judicial e na Polícia.
Esses antecedentes explicam o fato de 800 pessoas terem sido mandadas à prisão, algo que não teria acontecido se a ficha deles estivesse limpa.
O ministro argumentou que, embora a solução à situação não seja apenas uma política de segurança, a primeira coisa que é preciso fazer é "limpar esses bairros de pessoas desonestas" e dos delinqüentes que "envenenam" a vida dos que se esforçam e acordam cedo para trabalhar.
Sarkozy também insistiu em separar os autores de atos de vandalismo das pessoas em situação de exclusão social. "Se todos os desempregados queimassem o carro de seu vizinho, não haveria mais carros", afirmou.
Segundo um relatório dos serviços de informação da Polícia que teve alguns de seus trechos publicados pelo jornal Le Parisien, os distúrbios foram "uma forma de insurreição não-organizada".
No entanto, os autores do relatório admitem que, por sua duração e extensão pelo país, o problema tornou-se uma rebelião popular dos bairros (periféricos), sem líder e sem proposta de programa".
Os jovens autores dos distúrbios estavam estimulados "por um forte sentimento de identidade que não tem base apenas em sua origem étnica ou geográfica, mas em sua condição social de excluídos da sociedade francesa", de acordo com o documento, que não aponta "nenhuma manipulação que permita creditar a tese de uma revolta generalizada e organizada".

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