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ONU: mais de dois milhões de pessoas morrem de fome a cada dia

14 de outubro de 2005 15h34

Mais de dois milhões de pessoas morrem de fome a cada dia, mais do que pela malária, a aids e a tuberculose juntas, segundo o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, que alertou hoje que essa arma também é usada "no Iraque pelas forças de coalizão".

"Em 2003, 841 milhões de pessoas morreram de fome. No ano seguinte, em vez de diminuir, como nos comprometemos com os Objetivos do Milênio, esse número aumentou em mais 11 milhões", destacou Ziegler numa entrevista coletiva.

Por ocasião da celebração no domingo do Dia Mundial dos Alimentos, o relator contou que, segundo cálculos, o mundo pode produzir comida suficiente para alimentar diariamente 12 bilhões de pessoas, o dobro da população mundial.

Nas Nações Unidas, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também lembrou por meio de uma nota que mais de 850 milhões de pessoas sofrem com a fome no mundo, um número que a comunidade internacional pretende reduzir à metade até 2015.

"A situação na África é realmente preocupante, porque o massacre provocado pela fome aumenta cada vez mais", disse Ziegler.

No continente, o número de pessoas mal-nutridas passou de 88 milhões em 1999 para mais de 200 milhões em 2001.

Mais de três em cada dez habitantes da África são malnutridos, o que representa "uma verdadeira crise continental".

Entre os exemplos citados por Ziegler destacam-se os de Burkina Fasso, onde "a escassez de alimentos chega a 70%"; Mali, onde "mais de 10% da população não tem o que comer"; Sudão, onde "3,5 milhões de pessoas são vítimas da fome"; e Etiópia, país em que "mais de 3,8 milhões de habitantes precisam urgentemente de ajuda alimentar".

O relator lamentou a situação do Níger e a "lenta" resposta internacional, que se intensificou depois que os meios de comunicação divulgaram imagens da população nigerense.

Devido à escassez generalizada de recursos para enfrentar a fome na África, as rações diárias de alimentos se reduziram, em várias ocasiões, das 2.500 calorias recomendadas pela ONU a "quantidades realmente insuficientes para a sobrevivência".

Todas estas observações serão expostas semana que vem por Ziegler na Assembléia Geral da ONU em Nova York.

Ziegler também deve denunciar a "flagrante violação dos direitos humanos que representa a estratégia utilizada pelas forças da coalizão no Iraque para isolar os insurgentes".

"As estratégias militares das partes em conflito, forças da coalizão e grupos rebeldes, incluem a interrupção da distribuição de alimentos e água nas cidades atacadas", afirmou.

Ziegler garante que suas fontes são "numerosas" e que todas concordam que "a estratégia para ataques militares das forças da coalizão consiste em cercar a cidade atacada e cortar o fornecimento de alimentos e água, para forçar a população civil a abandoná-la" e isolar os insurgentes.

Na sua opinião, as partes de um conflito armado têm o dever de garantir, nos territórios que estejam sob controle, todas as necessidades básicas da população civil.

Além disso, defendeu que, quando a população abandona as cidades para obter alimentos, não lhes é fornecida comida suficiente. Como exemplo, citou os ataques a Tal Afar, Samarra e Faluja.

EFE
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