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 Exército israelense volta a ocupar Hebron
16 de novembro de 2002 19h02

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O exército israelense voltou a ocupar neste sábado a cidade de Hebron, na Cisjordânia, de onde saiu há apenas três semanas. A reocupação é uma resposta a um sangrento ataque palestino que causou a morte de 12 israelenses na noite de sexta-feira, segundo fontes militares. Cerca de 40 blindados e vários veículos militares entraram pelo norte e pelo sul da cidade e se instalaram num posto policial palestino e em pelo menos uma casa, contaram vizinhos à AFP. "O exército está voltando aos lugares que tinha deixado há algumas semanas, devido ao ataque de sexta-feira à noite", confirmaram porta-vozes do exército.

Doze israelenses, entre eles cinco guardas de fronteira, quatro soldados e três colonos, perderam a vida e outras 14 pessoas ficaram feridas em duas emboscadas assumidas por membros do movimento radical palestino Yihad islámica. Os três colonos voltavam a pé de suas orações do Shabbat, dia sagrado da tradição judaica, seguindo a estrada que leva ao túmulo dos Patriarcas, lugar santo para o judaísmo e o islã, em direção ao assentamento de Kyriat Arba, numa colina próxima.

Os soldados que tentaram ajudar também caíram na emboscada e os atacantes dispararam com armas automáticas contra eles, lançando granadas. Seguiu-se um tiroteio que durou várias horas; três ativistas palestinos morreram baleados. Segundo porta-vozes militares israelenses, entre os soldados mortos estava o comandante do exército na cidade de Hebron, Dror Weinberg, de 38 anos. Se a informação for confirmada, ele seria o oficial de mais alta patente morto desde o início da Intifada, no final de setembro de 2000.

Pouco depois do ataque, as autoridades do Estado hebreu afirmaram que estavam fechadas as portas para uma negociação de paz com os palestinos. O chefe de gabinete do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, Dov Weissglas, disse à rádio que os atacantes "aproveitaram-se de uma redução" do dispositivo de segurança israelense em Hebron, por ocasião do Ramadã, o mês sagrado de jejuns e oração dos muçulmanos.

O ato foi condenado, entre outros países, por Grã-Bretanha, Rússia, França, pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e pelo Alto Comissário da União Européia para a Política Externa, Javier Solana. Neste sábado, o exército israelense revistou casa por casa, no centro de Hebron (Cisjordânia), em busca de esconderijos e armas, um dia depois do violento ataque palestino, destruindo a casa de um palestino que havia sido usada de abrigo pelos atacantes.

Os corpos de três palestinos, que morreram durante o tiroteio que durou grande parte da noite, ficaram muito tempo estendidos num campo, perto da casa que serviu de ponto de apoio à dupla emboscada.

A cidade de Hebron, onde vivem 600 colonos protegidos noite e dia pelo exército e cercados por 120.000 palestinos, é um lugar de muita tensão. No dia 25 de outubro, o exército havia se retirado desta cidade que ocupou a partir de junho, depois de uma onda de atentados em Israel, mas manteve suas tropas em duas colinas para proteger os cidadãos israelenses. Mais ao norte da Cisjordânia, dois palestinos morreram neste sábado em mãos do exército israelense. Um membro da Jihad islâmica foi atingido durante um tiroteio em Jenín; em Nablus, uma mulher morreu vítima de obuses disparados de um tanque.

Nesta cidade, o exército continuava revistando, interrogando e detendo cidadãos palestinos dentro de uma operação lançada quarta-feira, em resposta ao ataque contra un kibutz no norte de Israel, no dia 10 de novembro, no qual morreram cinco israelenses. Até o momento, desde o início da Intifada, em setembro de 2000, o número de mortos chega a 2.686, sendo 1.978 palestinos e 659, israelenses.

AFP
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