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 Cinco pessoas morrem ao tentar entrar na Espanha
29 de setembro de 2005 11h53 atualizado às 14h03

Cinco imigrantes clandestinos morreram na madrugada de hoje na fronteira entre a Espanha e Marrocos durante esforços de um grande grupo de pessoas para passar pelo enclave espanhol de Ceuta, no dia seguinte a duas tentativas parecidas em Melilla, a outra cidade autônoma espanhola no norte do país africano. A primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, confirmou nesta quinta-feira que cinco imigrantes clandestinos morreram ao tentar pular a barreira dupla que separa Marrocos de Ceuta, dois do lado espanhol e três do lado marroquino.

Um dos mortos seria um bebê de uma mulher da Costa do Marfim, que ficou do lado marroquino, afirmou um porta-voz da organização SOS Racismo. "As vítimas do lado espanhol podem ter morrido por ferimentos causados pela tentativa de transpor a barreira, ao caíram provavelmente uns sobre os outros", explicou um porta-voz da delegação do Governo em Ceuta, que acrescentou que houve cerca de 100 feridos, nenhum em estado grave.

As duas vítimas do lado espanhol foram submetidas à necropsia, cujo resultado ainda é preliminar, de acordo com a mesma fonte. Segundo uma fonte próxima ao governo em Sevilha, com base nos primeiros dados da necropsia, os dois imigrantes clandestinos mortos em Ceuta apresentam impacto de balas que não são as utilizadas pelas forças de segurança espanholas.

A fonte não especificou se as balas procediam do lado marroquino da fronteira. Do lado marroquino, além dos mortos, 18 feridos foram atendidos em um hospital de Tetuán (a 300 quilômetros ao norte de Rabat). Segundo fontes da segurança marroquina, dois dos mortos em seu território perderam a vida ao serem atingidos por balas de borracha disparadas a partir da fronteira espanhola. "Está sendo realizada uma investigação a respeito", afirmou De la Vega, antes de acrescentar que a transparência é uma regra de funcionamento do Executivo espanhol.

Os dramáticos fatos na fronteira de Ceuta aconteceram às 3h locais (22h de Brasília - ainda na quarta-feira), quando cerca de 500 imigrantes ilegais invadiram o setor da barreira dupla de 8,3 quilômetros de extensão que separa o enclave norte-africano (Ceuta) de Marrocos. A guarda civil espanhola usou aparatos contra distúrbios para tentar acabar com a tentativa de infiltração em vários pontos da barreira ao mesmo tempo.

A nova tentativa dos imigrantes em Ceuta levou o Governo espanhol a ordenar o posicionamento de 480 soldados, sob o comando de guardas civis para garantir a integridade da fronteira entre o território espanhol e Marrocos. "Parece que uma autêntica barbárie foi realizada pelo Exército para garantir a fronteira", frisou Diego Lorente, porta-voz da ONG SOS Racismo. A entidade suspeita que os acontecimentos da madruga foram calculados para que os dois governos possam firmar acordos que não respeitam os direitos humanos dos imigrantes que tentam passar para o lado espanhol.

O Governo espanhol havia decidido na quarta-feira enviar reforços policiais a Melilla após duas tentativas consecutivas de imigrantes clandestinos. Entre terça e quarta-feira, mais de mil imigrantes clandestinos tentaram cruzar em duas ocasiões a barreira metálica que separa Marrocos de Melilla. Cerca de 300 conseguiram entrar após enfrentamentos com as forças de Segurança espanholas, que deixaram 28 feridos, entre eles guardas civis e 17 imigrantes.

A Polícia marroquina frustrou na quinta-feira uma nova tentativa de entrada na fronteira com Melilla em uma grande operação com 500 policiais e três helicópteros, durante a qual detiveram 220 imigrantes, segundo a delegação do Governo no enclave espanhol.

A pressão realizada por imigrantes clandestinos sobre Ceuta e Melilla nos últimos dias coincide com a cúpula hispano-marroquina que nesta quinta-feira era realizada, em Sevilha, com a participação do chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o ministro marroquino, Dris Jettu, na qual a imigração é um dos temas centrais. O chefe da oposição espanhola de direita, Mariano Rajoy, acusou o Governo de imprudência e descaso, sustentando que o governante tem a obrigação de exigir explicações a Marrocos para que acabe com esta situação.

Ceuta e Melilla, única fronteira terrestre entre a Europa e a África, são uma passagem privilegiada da imigração ilegal que procura confirmar o espaço Schengen (13 países da União Européia, mais Noruega e Islândia) que permite a livre circulação de pessoas.

Nesta quinta-feira, a Comissão Européia condenou os trágicos acontecimentos envolvendo imigrantes ilegais em Ceuta. "A Comissão está a par dos trágicos acontecimentos, o que nos obriga a continuar a reflexão sobre a política de imigração", afirmou nesta quinta-feira em Bruxelas, Françoise Le Bail, porta-voz da entidade. "A Comissão recorda sua proposta de que haja um diálogo com os nossos vizinhos, abrindo espaço para uma associação a fim de controlar esta imigração e uma política a nível europeu, o que é essencial", frisou a porta-voz.

EFE
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