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 Após tsunami, Interpol quer cadastro global de desaparecidos
19 de setembro de 2005 12h48 atualizado às 12h58

A Interpol pretende criar um cadastro global para facilitar a identificação de pessoas desaparecidas após grandes desastres, como o tsumami asiático ou o furacão Katrina nos Estados Unidos.

O chefe da polícia internacional, Ronald Noble, disse hoje que esse cadastro pode evitar sobreposições no momento em que os países se vêem às voltas com grandes tragédias. "O que a Interpol diz é que devemos construir um sistema no qual o membro de uma família possa ir a um lugar em um país, dar informações uma vez e (a informação) chega a todos os sistemas relevantes", explicou Noble a jornalistas durante a reunião anual da entidade, que reúne 182 nações.

Ele disse que a reação imediata de muitos países que enviaram às pressas suas próprias equipes de legistas para os países atingidos pelo tsunami de dezembro na Ásia criou graves problemas de coordenação. "No tsunami, 30 países chegaram nos primeiros dias, antes que tivéssemos espaço para o trabalho e equipamentos. Deveria ter sido coordenado. Esse é o tipo de esforço que exige uma cooperação e uma coordenação nas quais a Interpol tem experiência."

"Se (o cadastro) já existisse antes do tsunami, acho que teríamos conseguido identificar as pessoas muito mais rapidamente e teríamos dado mais conforto àqueles familiares que querem saber se os restos de seus entes queridos foram encontrados." Nove meses após o tsunami, legistas ainda tentam identificar muitas vítimas ¿ uma tarefa dificultada pelo calor, a decomposição, a exposição à água e a passagem do tempo.

Um legista britânico que trabalha na Tailândia disse à Reuters neste mês que mais de 1,5 mil corpos continuam sem identificação no país. Noble criticou duramente a comunidade internacional por reduzir as verbas e os recursos destinados à identificação das vítimas do tsunami, depois de uma enorme mobilização nos primeiros meses após a tragédia.

Em maio, ele disse à Reuters que era "ultrajante" o fato de alguns legistas terem de parar o trabalho para pedir mais verbas. O novo cadastro, proposto pela Alemanha, deve receber o aval dos participantes da Interpol na reunião desta semana, em Berlim, onde Noble também deve ganhar mais um mandato de cinco anos. O chefe da polícia federal alemã, Joerg Ziercke, disse que uma das prioridades será uniformizar os detalhadíssimos dados ¿ de 800 a 900 informações ¿ que a polícia solicita quando está procurando desaparecidos.

"Precisamos tornar esse procedimento mais uniforme, para poder comparar as informações", afirmou. O norte-americano Noble passou grande parte de seu primeiro mandato levando a Interpol para a era da informação e tornando-a mais eficiente na "guerra ao terrorismo". Dos 182 países da entidade, apenas 16 ¿ a maioria africanos ¿ não estão ligados a um sistema criptografado dentro da Internet pelo qual policiais de todo o mundo podem trocar informações e acessar bancos de dados, inclusive com detalhes sobre cerca de oito mil suspeitos de terrorismo.

Reuters
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