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PNUD: reduzir desigualdades é o maior desafio da América Latina

07 de setembro de 2005 15h05

O desafio da América Latina e do Caribe em matéria de desenvolvimento humano não é aumentar a renda de sua população, inferior à média mundial, mas diminuir as desigualdades presentes em sua sociedade.

Assim indica o Relatório 2005 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que também chama a atenção para o "decepcionante" resultado dos esforços em prol da liberalização comercial levados a cabo na região nos últimos anos .

Segundo o PNUD, o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe registrou apenas um "leve" crescimento nos anos 90.

Por esta razão, em 2003, o PIB per capita da região continuava sendo 10% inferior à média mundial.

Enquanto o número de pessoas que vive com menos de US$ 1 dólar ao dia no mundo caiu pela metade na última década (para 20,7% da população mundial), na América Latina e no Caribe esta percentagem se manteve em 9,9%.

O exemplo mais grave é o da Argentina, país onde a população que vive nestas condições triplicou entre 2000 e 2003, ano este do qual o PNUD extraiu os últimos dados usados em sua pesquisa.

De acordo com os autores do relatório, o caso da Argentina é um exemplo claro de que a integração aos mercados de capitais globais - na qual a América Latina foi "líder mundial" - acarreta "altos riscos para o desenvolvimento humano".

A estagnação da região nos últimos anos foi tal que, segundo o relatório, se os países de maior renda parassem de crescer hoje e a América Latina mantivesse seu ritmo atual de expansão, só conseguiria alcançar as nações mais ricas em 2177 (a África o faria em 2236).

No entanto, o que parece ser o grande desafio da região não é retomar o crescimento econômico, mas combater "o extraordinariamente alto nível de desigualdade".

Um exemplo específico: 10% dos brasileiros mais pobres concentram 0,7% da renda nacional, enquanto 10% dos mais ricos detém quase metade (47%) dela, segundo dados do relatório.

As desigualdades sociais são notáveis já no nascimento. Na Bolívia e no Peru, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil entre as crianças mais pobres é entre quatro e cinco vezes maior que entre as crianças do topo da pirâmide social.

"Trata-se de uma prova contundente de como a desigualdade priva as pessoas de liberdades e opções básicas", destaca o PNUD.

Após o nascimento, as desigualdades se tornam patentes em outros setores, como na educação, razão pela qual hoje em dia o acesso à universidade na América Latina garante uma taxa de retorno (o aumento de riqueza que gera) maior que nos Estados Unidos.

Isto demonstra uma desigualdade muito grande, também manifestada no mercado de trabalho, no qual só 40% dos assalariados estão protegidos por leis e têm assegurados benefícios da Previdência Social.

Por exemplo, no Chile, só 25% das mulheres que trabalham no setor fruticultor têm contrato de trabalho.

Estatisticamente, solucionar estas desigualdades seria simples: se 20% da população mais rica do Brasil ou do México abrissem mão de 5% de suas riquezas, 26 milhões de brasileiros e 12 milhões de mexicanos deixariam de ser pobres, e a pobreza cairia de 22% para 7%, no primeiro caso, e de 16% para 4%, no segundo.

Na verdade, o relatório mostra aos "Governos que estão decidindo entre diversos caminhos para aumentar o crescimento" que "um dólar a mais nas mãos de um habitante de um barraco da América Latina gera mais bem-estar que a mesma quantidade nas mãos de um milionário".

EFE
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