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 Nagasaki relembra 60 anos de bomba atômica
09 de agosto de 2005 08h35 atualizado às 21h26

Mulher reza durante cerimônia em Nagasaki. Foto: Reuters

Mulher reza durante cerimônia em Nagasaki
Foto: Reuters

Nagasaki lembrou hoje sua destruição há 60 anos por uma bomba atômica americana com uma declaração de paz que denuncia o descumprimento dos compromissos de desarmamento pelas potências nucleares. "Durante 60 anos repetimos nosso pedido: somente Hiroshima, somente Nagasaki", afirmou o prefeito de Nagasaki, Itcho Ito, ao ler a Declaração da Paz diante de 5 mil pessoas reunidas no parque construído em lembrança ao incidente.

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  • Especial: 60 anos de Hiroshima

    No mesmo lugar, em 9 de agosto de 1945, explodiu a segunda bomba atômica lançada sobre uma população civil. Três dias antes, no dia 6 de agosto, Hiroshima foi reduzida a cinzas por outra bomba atômica, lançada pelo bombardeiro americano Enola Gay.

    Às 11h02 desta terça-feira (horário local), após um minuto de silêncio, os sinos de Nagasaki badalaram ao mesmo tempo, em memória das 74 mil pessoas que morreram quase instantaneamente após a explosão da bomba e das mais de 63 mil que morreram depois por causa das radiações e ferimentos causados pelo bombardeio.

    Em Hiroshima, a última lista de pessoas que morreram no momento da explosão e nos anos posteriores reúne 242.437 nomes. Com isso, o total de mortos pelas duas bombas chega a 379.776 pessoas.

    Na cerimônia realizada nesta terça-feira, fez-se uma oferenda de água fresca em frente às chamadas esculturas da paz, em memória dos últimos lamentos das pessoas que morreram em Nagasaki, atingidas por temperaturas infernais.

    "Algumas das vítimas nunca souberam o que tinha acontecido.Outras suplicavam por um pouco de água enquanto morriam. As crianças estavam tão queimadas e enegrecidas que quase não podiam chorar e ficavam com os olhos fechados", disse o prefeito em seu discurso. Os sobreviventes da tragédia, acrescentou Ito, "sofreram ferimentos físicos e psíquicos que nunca puderam curar. Continuam sofrendo os efeitos posteriores da bomba e ainda vivem em estado de medo".

    Ito pediu aos países detentores de armas nucleares que abram mão delas, o mesmo pedido feito pelo governador de Hiroshima há três dias. "Os países que possuem armas atômicas, e principalmente os Estados Unidos, ignoraram seus compromissos internacionais e não fizeram nada para mudar sua estratégia baseada na dissuasão nuclear. Denunciamos que as esperanças dos habitantes do planeta foram destruídas", acrescentou.

    A Declaração da Paz se referiu várias vezes aos Estados Unidos, cuja posse de armas atômicas não conseguiu garantir sua segurança. ¿Aos cidadãos dos EUA, dizemos que entendemos sua ira pelos atentados de 11 de setembro. Mas por acaso as políticas de seu Governo de manter dez mil armas nucleares, de realizar testes atômicos subterrâneos e de pretender desenvolver minibombas nucleares garantem sua segurança?", perguntou-se.

    "Acreditamos que a maioria dos senhores deseja a eliminação das armas nucleares. Por que não unem suas mãos ao resto da população mundial com esse mesmo desejo e trabalhamos juntos por um planeta livre de armas atômicas?", sugeriu o prefeito de Nagasaki.

    O representante de um grupo de sobreviventes, Fumie Sakamoto, 74 anos, lembrou os momentos vividos após o segundo ataque nuclear da História. "Por que a voz das vítimas para que as armas nucleares sejam destruídas não é ouvida?", questionou.

    Segundo as autoridades locais, esta foi a primeira vez que sobreviventes estrangeiros do bombardeio foram convidados a Nagasaki para participar da cerimônia em memória das vítimas.

    Pelo menos nove destas vítimas da bomba atômica que destruiu Nagasaki assistiram no Parque da Paz aos atos, entre eles cidadãos de Brasil, Coréia do Sul e Estados Unidos. Os embaixadores de Rússia, China e Ucrânia também estiveram presentes aos atos.

    Diante da exigência feita pela Declaração de Paz para que o Japão renuncie à guerra, como estipula sua Constituição, o primeiro-ministro Junichiro Koizumi ressaltou o respeito aos princípios da Carta Magna e confirmou os três compromissos de não possuir, não fabricar e não permitir a existência de armas nucleares no território japonês.

  • EFE
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