Em Berlim, manifestantes protestaram em frente à embaixada americana
Foto: AP
A data do primeiro bombardeio atômico do mundo acontece quando as potências regionais mantêm conversações em Pequim para persuadir a Coréia do Norte a desistir de seu programa nuclear. O governo japonês vê este fato como uma ameaça potencial e uma das razões do aumento das pressões para que fortaleça sua defesa e intensifique a cooperação militar com os Estados Unidos.
Sob o forte sol do verão, sobreviventes e parentes das vítimas se reuniram no Parque Memorial da Paz, perto do "ponto zero" em que a bomba foi detonada na manhã de 6 de agosto de 1945, matando milhares de pessoas e destruindo a cidade. Dignatários, entre eles o primeiro-ministro Junichiro Koizumi, participaram da cerimônia em Hiroshima, cerca de 690 km a sudoeste de Tóquio.
Às 8h15 da manhã, horário quando o avião norte-americano B-29 Enola Gay jogou a bomba, as pessoas no parque e em toda a cidade fizeram um minuto de silêncio. Sinos tocaram nos templos e nas igrejas e os passageiros dos bondes que percorrem a cidade curvaram suas cabeças em respeito aos mortos.
"Este 6 de agosto é um tempo de herança, depertar e compromisso, pois herdamos o compromisso com as vítimas da bomba pela abolição de armas nucleares e a concretização da genuína paz mundial", disse o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, na cerimônia.
Akiba disse em sua Declaração pela Paz que as cinco potências nucleares do mundo, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China, assim com a Índia, Paquistão e Coréia do Norte estão "prejudicando a sobrevivência humana."
A bomba de Hiroshima provocou uma mistura de ondas de choque, raios de calor e radiação que mataram milhares de pessoas instantaneamente. Até o fim de 1945, o número de mortes havia subido para cerca de 140 mil, numa população estimada em 350 mil. Outras milhares sucumbiram a doenças e ferimentos posteriormente.
Em 9 de agosto de 1945, três dias depois do ataque, outra bomba atômica foi lançada sobre Nagasaki. O Japão se rendeu em 15 de agosto, pondo fim à agressão militar que culminou com a sua entrada na Segunda Guerra Mundial.
Lista de vítimas aumenta
Na cerimônia de sábado, 5.375 nomes foram acrescentados à lista dos mortos em Hiroshima, levando o total a 242.437. Referindo-se às iniciativas para revisar a constituição pacifista adotada pelo Japão depois da guerra, Akiba disse que é obrigação da atual geração manter o princípio "não matarás."
"A constituição japonesa, que incorpora esse axioma para sempre como a vontade soberana da nação, deve ser uma luz que guia o mundo no século 21", afirmou.
Nesta semana, o Partido Liberal Democrata, que governa o Japão, divulgou minuta com mudança drástica na constituição, propondo que os militares possam agir não apenas em autodefesa como também participar dos esforços de segurança globais.
Apesar de que o apoio à revisão da cláusula pacifista ainda não ser majoritária, a opinião pública já não é tão contrária a ela e alguns políticos chegam a falar sobre armas nucleares do Japão, um antigo tabu.
Os sobreviventes à bomba, cuja idade média é atualmente de mais de 73 anos, se preocupam com a possibilidade de que, com a morte deles, o mesmo aconteça com a memória do bombardeio. "Transmitir a experiência é a nossa maior preocupação", disse Sunao Tsuboi, sobrevivente da bomba, que tem 80 anos.

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