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 Após 60 anos, 57% dos americanos apóiam bomba contra Hiroshima
05 de agosto de 2005 19h19 atualizado às 23h49

Passados 60 anos desde que os Estados Unidos lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki para pôr fim à Segunda Guerra Mundial, a maior parte dos norte-americanos concorda com a decisão de usar as armas naquele momento, mostrou uma pesquisa de opinião.

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    Em um museu de aviação localizado a oeste de Washington, uma longa fila de turistas esperava para ver o Enola Gay, o avião bombardeiro B-29, dos EUA, que jogou a primeira bomba atômica contra a cidade de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945.

    A aeronave prateada e brilhante, com uma envergadura de 43 metros e um peso total, quando totalmente carregado, de 63.500 quilos, domina um hangar onde há vários aviões militares e civis, desde um caça kamikaze do Japão ao primeiro avião a jato de passageiros da história.

    Greg Culpepper, 55 anos, um veterano da Força Aérea dos EUA, disse não ter dúvidas de que o presidente Harry Truman tomou a decisão correta 60 anos atrás. "Se Truman não tivesse jogado aquela bomba, pense quantos americanos não teriam morrido em uma eventual invasão (do território japonês)", afirmou.

    A bomba jogada pelo Enola Gay, de 4,5 toneladas, matou instantaneamente 78 mil pessoas e outras 140 mil nos dias que se seguiram à detonação dela. Uma pesquisa do instituto Gallup, feita com 1.010 adultos norte-americanos e divulgada nesta semana, mostrou que a opinião de Culpepper é também a da maioria dos moradores dos EUA.

    Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados aprovavam o uso das bombas contra Hiroshima e Nagasaki, enquanto 38% disseram desaprovar a medida. O Gallup afirmou que os números mais recentes eram semelhantes aos de 1955, quando 59% dos entrevistados disseram ser favoráveis ao uso das bombas atômicas e 38%, contrários.

    O dentista da Flórida Robert Gleiber disse que as perdas civis do Japão eram tristes, mas que a alternativa era uma invasão sangrenta do país asiático. "Truman foi responsável por salvar centenas de milhares, ou mesmo milhões, de vidas, tanto japonesas quanto norte-americanas", disse. "Os japoneses eram fanáticos e iriam lutar até o último homem".

    A estudante Chelsea Gelbart, de 14 anos, que participava de uma visita ao museu, discordou da opinião da maioria dos entrevistados. "Mesmo sendo uma guerra, aquilo foi um desastre e não alguma coisa da qual deveríamos nos orgulhar", afirmou. Segundo Gelbart, os EUA deveriam ter feito um teste com a bomba no oceano a fim de convencer o Japão a se render.

  • Reuters
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