Em um museu de aviação localizado a oeste de Washington, uma longa fila de turistas esperava para ver o Enola Gay, o avião bombardeiro B-29, dos EUA, que jogou a primeira bomba atômica contra a cidade de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945.
A aeronave prateada e brilhante, com uma envergadura de 43 metros e um peso total, quando totalmente carregado, de 63.500 quilos, domina um hangar onde há vários aviões militares e civis, desde um caça kamikaze do Japão ao primeiro avião a jato de passageiros da história.
Greg Culpepper, 55 anos, um veterano da Força Aérea dos EUA, disse não ter dúvidas de que o presidente Harry Truman tomou a decisão correta 60 anos atrás. "Se Truman não tivesse jogado aquela bomba, pense quantos americanos não teriam morrido em uma eventual invasão (do território japonês)", afirmou.
A bomba jogada pelo Enola Gay, de 4,5 toneladas, matou instantaneamente 78 mil pessoas e outras 140 mil nos dias que se seguiram à detonação dela. Uma pesquisa do instituto Gallup, feita com 1.010 adultos norte-americanos e divulgada nesta semana, mostrou que a opinião de Culpepper é também a da maioria dos moradores dos EUA.
Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados aprovavam o uso das bombas contra Hiroshima e Nagasaki, enquanto 38% disseram desaprovar a medida. O Gallup afirmou que os números mais recentes eram semelhantes aos de 1955, quando 59% dos entrevistados disseram ser favoráveis ao uso das bombas atômicas e 38%, contrários.
O dentista da Flórida Robert Gleiber disse que as perdas civis do Japão eram tristes, mas que a alternativa era uma invasão sangrenta do país asiático. "Truman foi responsável por salvar centenas de milhares, ou mesmo milhões, de vidas, tanto japonesas quanto norte-americanas", disse. "Os japoneses eram fanáticos e iriam lutar até o último homem".
A estudante Chelsea Gelbart, de 14 anos, que participava de uma visita ao museu, discordou da opinião da maioria dos entrevistados. "Mesmo sendo uma guerra, aquilo foi um desastre e não alguma coisa da qual deveríamos nos orgulhar", afirmou. Segundo Gelbart, os EUA deveriam ter feito um teste com a bomba no oceano a fim de convencer o Japão a se render.

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