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 60 anos depois, apocalipse nuclear ameaça o mundo
04 de agosto de 2005 21h46 atualizado em 05 de agosto de 2005 às 22h53

Há 60 anos, o mundo descobria o apocalipse nuclear em Hiroshima e em Nagasaki, primeiros e únicos alvos da bomba atômica, mas a ameaça ainda não desapareceu. Capital mundial do pacifismo, a cidade de Hiroshima (sul do Japão), lembra neste sábado o dia em que o planeta entrou na era nuclear. Outras solenidades acontecerão três dias mais tarde em Nagasaki (sul).

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    Foi no dia 6 de agosto de 1945, exatamente às 8H15, em uma hora de grande movimento, que o bombardeiro B29 americano "Enola Gay" lançou a bomba A sobre Hiroshima. A bomba explodiu a 600 metros de altitude, arrasando instantaneamente a cidade. Cerca de 140 mil pessoas - mais da metade da população da cidade em 1945 - morreram imediatamente e nos meses que se seguiram, vítimas da radiação ou de queimaduras extremas.

    No dia 9 de agosto, 74 mil pessoas morreram no segundo bombardeio atômico sobre Nagasaki. Mas, apesar dos "hibakushas" (sobreviventes irradiados), dos mais idosos e políticos comprometidos formularem votos de paz durante as cerimônias de homenagem aos mortos, as armas nucleares continuam a ameaçar a segurança internacional, como provam as crises norte-coreana e iraniana.

    País vizinho do Japão, a Coréia do Norte vangloriou-se em fevereiro passado de possuir a arma atômica. O desmonte de seu programa nuclear está atualmente no centro das negociações muito difíceis em Pequim, com a China, os Estados Unidos, a Coréia do Sul, o Japão e a Rússia.

    O prefeito de Nagasaki, Iccho Ito, exortou Pyongyang a abandonar suas ambições nucleares, pelo bem da região, "para que todo o mundo saiba que essas armas são muito perigosas, que podem erradicar a raça humana num instante". Pouco depois, o Irã anunciou a retomada de seu programa de enriquecimento de urânio, questionando o acordo de Paris arrancado pela União Européia após vários meses de discussões em novembro de 2004.

    Mais preocupante ainda para a comunidade internacional é o risco de um "11 de setembro nuclear" recentemente evocado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na hipótese de a arma atômica vir a cair nas mãos de terroristas. Em fevereiro de 2004, o pai da bomba atômica paquistanesa, Abdul Qadeer Khan, considerado um herói nacional, admitiu ter realizado exportações ilícitas de tecnologia nuclear em benefício do Irã, da Coréia do Norte e da Líbia.

    "A natureza da ameaça ligada ao nuclear mudou e o sistema disponível na comunidade internacional para responder não está adaptado", acusa a ex-embaixatriz Kuniko Inoguchi, que até o ano passado representava o Japão nas questões de não-proliferação nuclear. "Hoje, a ameaça que pesa sobre o mundo é mais imprevisível. Em relação à luta contra o terrorismo, trata-se de um novo tipo de guerra, um novo tipo de proliferação, de um novo perigo para nossa segurança. E a questão central é que não se sabe verdadeiramente com quem se deve negociar, e contra quem lutar", destaca ela.

    Há dez anos, durante o 50º aniversário dos bombardeios de Hiroshima e de Nagasaki, os opositores à arma nuclear tinham algumas razões para ter esperanças. A derrocada da União Soviética, pondo fim definitivamente à Guerra Fria, afastava a eventualidade de um conflito atômico devastador para o planeta.

    Hoje, pelo menos oito países podem afirmar que possuem a arma nuclear: Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, China, França, Índia, Israel, Paquistão e, talvez, a Coréia do Norte. Há poucas esperanças de que eles desistam de seu arsenal. Em maio, os Estados que participam do Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares (TNP) não conseguiram um consenso sobre uma revisão maior desse acordo, que entrou em vigor em 1970, e que aparece mais e mais obsoleto.

  • AFP
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