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Ásia

Mulher de político chinês confessa ter matado britânico

10 ago 2012 - 15h48
(atualizado às 16h14)
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A chinesa Gu Kailai, acusada de assassinar o empresário britânico Neil Heywood, admitiu ser culpada pelos acontecimentos que levaram à sua prisão e à queda do marido, o político Bo Xilai, outrora influente no PC chinês, informou a mídia estatal nesta sexta-feira. Ela disse que sofreu um colapso mental.

Imagem de vídeo mostra Gu Kailai durante o seu julgamento na cidade de Hefei; ela confessou o crime
Imagem de vídeo mostra Gu Kailai durante o seu julgamento na cidade de Hefei; ela confessou o crime
Foto: AP

O primeiro grande comentário público sobre o caso da mulher de Bo apareceu em um relato da agência de notícias Xinhua, que disse que ela e um auxiliar doméstico, chamado Zhang Xiaojun, "confessaram o homicídio doloso" de Heywood, por envenenamento, em novembro.

"Aceitarei e enfrentarei tranquilamente qualquer sentença e eu também espero uma decisão razoável e justa da corte", disse Gu durante o julgamento dela na quinta-feira, de acordo com o registro da Xinhua, que não pôde ser confirmado de forma independente.

O relato da mídia estatal sobre o depoimento de Gu, no entanto, também repetiu o argumento dela de que se voltou contra Heywood -- um antigo amigo da família, que ajudara na educação de seu filho, Bo Guagua, na Inglaterra - apenas depois de ter avaliado que ele era uma ameaça ao seu filho.

"Durante aqueles últimos dias em novembro passado, sofri um colapso mental depois de saber que meu filho estava em perigo", afirmou Gu.

O mais recente relato oficial sobre o escândalo que assolou o Partido Comunista chinês ocorreu no mesmo dia em que quatro policiais chineses admitiram ter tentado proteger Gu da suspeita do assassinato de Heywood, afirmou uma autoridade, em outro acontecimento prejudicial para o ex-integrante do Politburo.

A declaração oficial, emitida após uma audiência de 11 horas fechada para a mídia não-oficial, estabelece formalmente pela primeira vez que houve uma tentativa de encobrir o assassinato de Heywood.

Bo perdeu o cargo de chefão do PC em Chongqing em março e sua mulher foi acusada publicamente de homicídio em abril, quando Bo foi expulso do Politburo e detido sob a acusação de ter violado a disciplina do partido - termo para corrupção, abuso de poder e outros delitos.

Até então, a morte de Heywood era atribuída a um possível ataque cardíaco provocado por álcool em excesso.

A queda de Bo alimentou mais disputas internas do que a de qualquer outro líder do partido em mais de 30 anos. Para os simpatizantes de esquerda, Bo tornou-se uma personalidade carismática pelos seus esforços de reimpor o controle do partido sobre o desenvolvimento desigual da sociedade.

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