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Lula diz que democracia foi "ferida" com destituição de Lugo

25 de junho de 2012 19h52 atualizado em 26 de junho de 2012 às 10h06

Renan Truffi
Direto de São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira o impeachment do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, destituído do cargo após um confronto entre militares e sem-terra em Cuaraguaty, no último dia 15, quando 17 pessoas morreram.

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"Acho que a maioria dos presidentes da América do Sul concordam que a democracia foi desrespeitada. Mas, enquanto cidadão brasileiro, penso que a democracia foi ferida. Apesar dos senadores e deputados disserem ter cumprido a constituição", afirmou o ex-presidente

Apesar disso, Lula evitou falar em golpe de Estado e disse que aguarda uma decisão da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) sobre o caso. "Não adianta eu dizer que foi (golpe), porque vão dizer que não foi. (...) Mas não deram tempo sequer do presidente (Lugo) se defender. Eu nunca vi um julgamento sumário, que em 24 horas depuseram um presidente que levou 60 anos para ser eleito", afirmou.

As declarações de Lula foram dadas na sede do diretório nacional do PCdoB, em São Paulo, onde o partido anunciou que vai abrir mão da pré-candidatura de Netinho de Paula (PCdoB-SP) à prefeitura de São Paulo para apoiar o petista Fernando Haddad.

Presente na entrevista coletiva, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rebelo, também opinou sobre o "golpe".

(Quero) denunciar os abusos cometidos no nosso país vizinho. A liberdade política é sagrada e, qualquer tentativa contra isso, é um golpe de Estado. Não podemos ficar passivos. Por isso, a nossa (PCdoB) atitude é de solidariedade ao bravo povo do Paraguai", disse.

Processo relâmpago destitui Lugo da presidência
No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Curaguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente.

A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.

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