Manifestantes reuniram-se em praça de Tbilisi, capital do país, na maior manifestação contra o governo nos últimos três anos
Foto: AP
Ivanishvili, fundador do partido Sonho Georgiano, que conseguiu unificar quase toda a oposição, ressaltou que "a irresponsabilidade das autoridades pôs sob ameaça a própria sobrevivência da Geórgia como Estado".
"Nosso país está à beira da perdição (...), o país pode desaparecer e não podemos continuar assim. Daí minha decisão de entrar na política. Isso não é um desejo, é meu dever", disse. Os opositores, que levavam cartazes nos quais se podia ler o lema "Misha (Mikhail), saia", contaram com o apoio de músicos e outras personalidades locais, como Kakha Kaladze, ex-jogador do Milan.
"Começamos a luta pela justiça e a unificação da Geórgia para que nosso país seja membro de pleno direito da União Europeia, da Otan e de outras organizações internacionais", disse Ivanishvili. O líder opositor afirmou também que até as eleições legislativas de outubro se propõe a "unir em um mesmo punho todo o país".
O ato opositor, que foi permitido pelas autoridades, contou com o apoio do partido de Nino Burdzhanadze, ex-presidente do parlamento, outrora aliada de Saakashvili e agora sua inimiga. Nesta mesma semana, o parlamento georgiano aplainou o caminho para que Ivanishvili possa se apresentar como candidato à presidência georgiana nas eleições de 2013.
Os cidadãos da União Europeia nascidos na Geórgia e que permaneceram pelo menos durante os últimos cinco anos em território georgiano poderão participar das eleições, segundo uma emenda à Constituição aprovada pelo Parlamento.
Até agora, Ivanishvili, cuja fortuna pessoal é estimada em US$ 5,5 bilhões, não pode liderar seu próprio partido, já que Saakashvili o privou da cidadania georgiana no ano passado por decreto presidencial, quatro dias depois de ele ter anunciado seu apoio à oposição.
Ivanishvili defende a normalização das relações com a Rússia, que reconheceu a independência das regiões georgianas separatistas e pró-Moscou de Abkházia e Ossétia do Sul, ao tempo que rejeita as acusações de que seu partido seja um projeto do Kremlin pelo fato de o magnata ter muitos negócios com aquele país.
Todas as pesquisas indicam que o novo partido será o grande rival do Movimento Nacional Unido, liderado por Saakashvili, nas eleições legislativas de outubro.

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