Em Calang, no litoral oeste de Aceh, as ondas gigantes não deixaram nenhum edifício de pé, mas as áreas atingidas já estão sendo reocupadas com diversas casas, escolas, lojas, restaurantes e cafés, e este cenário se repete em outros povoados costeiros.
Além disso, nestes dias em Calang são acertados os preparativos para a inauguração do centro de saúde provisório administrado pela organização espanhola Médicos do Mundo.
A médica Vera Abdullah agradeceu a ajuda dos voluntários espanhóis e destacou que agora contam com equipamento médico que não tinham antes. "Temos um laboratório que antes não tínhamos, o que é muito importante para confirmar possíveis casos de tuberculose, malária ou infecções urinárias", declarou a médica.
No entanto, Vera se diz consciente de que a assistência médica ainda está incompleta e apontou outras necessidades dos habitantes do antigo sultanato. "Eu gostaria que tivéssemos também material odontológico, já que há muita gente em Aceh que sofre problemas dentais e não podemos fazer nada, só lhes dar calmantes e dizer a eles que vão a Banda Aceh", contou Vera.
A médica assinalou que, apesar da rápida mudança registrada em Calang, as instalações são ainda temporárias. "Os barracos onde vivemos inundam se chove e não há água potável se ocorre corte de eletricidade", lamentou.
Quando o tsunami atingiu a região, Aceh se encontrava sob o estado de emergência civil, e os estrangeiros tinham vetada a entrada devido ao conflito separatista na província, mas o governo revogou a medida diante da impossibilidade de enfrentar sozinho a catástrofe.
Após o maremoto, o governo indonésio e os separatistas iniciaram negociações, que transcorrem na Finlândia, com o objetivo de conseguir uma paz definitiva, mas as emboscadas e os confrontos continuam entre as duas partes em conflito.
Neste sábado, três supostos rebeldes do Movimento de Libertação de Aceh (GAM) e um soldado morreram em combate ocorrido no norte da província. Segundo os militares, o incidente aconteceu quando uma patrulha do exército foi atacada por supostos guerrilheiros do GAM na altura da localidade de Darul Aman, no norte.
O episódio ocorre três dias depois de uma voluntaria chinesa da Federação da Cruz Vermelha ser ferida a bala nessa província quando viajava de carro acompanhada de vários colegas.
mulher está fora de perigo e internada em um hospital de Cingapura, sem que por enquanto se saiba se o comboio onde viajava se envolveu em um fogo cruzado entre o exército e os rebeldes.
Apesar desse panorama, a resposta sem precedentes da comunidade internacional permitiu às organizações humanitárias contar com vários recursos, e contribuiu para uma dinâmica transferência de tecnologia e conhecimentos entre a população local e a estrangeira.
Como exemplo, destacam-se a popularização da internet e a possibilidade de se conectar à rede sem cabos graças ao avançado sistema de telecomunicações que se está implementando.
"Aceh disporá de fibra óptica nos próximos anos e isso barateará os custos e permitirá uma maior banda larga, ou seja, mais rapidez", assinalou o indonésio Anjar Ari Nugroho, da organização Air Putih, que coordena a mobilização tecnológica.
Como disse Gustavo Domingo, o representante da Cruz Vermelha Espanhola, "a chegada de estrangeiros foi um segundo tsunami para Aceh". Domingo reconheceu que a reconstrução está ainda na fase inicial e que Jacarta atuou com lentidão para aprovar um plano geral, mas insiste que é necessário um bom planejamento. "Queremos reconstruir uma Aceh melhor", disse.

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