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 "Reconstruir uma Aceh melhor" vira meta após tsunami
25 de junho de 2005 20h03 atualizado em 26 de junho de 2005 às 00h35

Meio ano depois do desastre que devastou a província indonésia de Aceh, os mais de 400 mil desabrigados lutam para seguir em frente, enquanto o governo e organizações humanitárias buscam "reconstruir um Aceh melhor".

Em Calang, no litoral oeste de Aceh, as ondas gigantes não deixaram nenhum edifício de pé, mas as áreas atingidas já estão sendo reocupadas com diversas casas, escolas, lojas, restaurantes e cafés, e este cenário se repete em outros povoados costeiros.

Além disso, nestes dias em Calang são acertados os preparativos para a inauguração do centro de saúde provisório administrado pela organização espanhola Médicos do Mundo.

A médica Vera Abdullah agradeceu a ajuda dos voluntários espanhóis e destacou que agora contam com equipamento médico que não tinham antes. "Temos um laboratório que antes não tínhamos, o que é muito importante para confirmar possíveis casos de tuberculose, malária ou infecções urinárias", declarou a médica.

No entanto, Vera se diz consciente de que a assistência médica ainda está incompleta e apontou outras necessidades dos habitantes do antigo sultanato. "Eu gostaria que tivéssemos também material odontológico, já que há muita gente em Aceh que sofre problemas dentais e não podemos fazer nada, só lhes dar calmantes e dizer a eles que vão a Banda Aceh", contou Vera.

A médica assinalou que, apesar da rápida mudança registrada em Calang, as instalações são ainda temporárias. "Os barracos onde vivemos inundam se chove e não há água potável se ocorre corte de eletricidade", lamentou.

Quando o tsunami atingiu a região, Aceh se encontrava sob o estado de emergência civil, e os estrangeiros tinham vetada a entrada devido ao conflito separatista na província, mas o governo revogou a medida diante da impossibilidade de enfrentar sozinho a catástrofe.

Após o maremoto, o governo indonésio e os separatistas iniciaram negociações, que transcorrem na Finlândia, com o objetivo de conseguir uma paz definitiva, mas as emboscadas e os confrontos continuam entre as duas partes em conflito.

Neste sábado, três supostos rebeldes do Movimento de Libertação de Aceh (GAM) e um soldado morreram em combate ocorrido no norte da província. Segundo os militares, o incidente aconteceu quando uma patrulha do exército foi atacada por supostos guerrilheiros do GAM na altura da localidade de Darul Aman, no norte.

O episódio ocorre três dias depois de uma voluntaria chinesa da Federação da Cruz Vermelha ser ferida a bala nessa província quando viajava de carro acompanhada de vários colegas.

mulher está fora de perigo e internada em um hospital de Cingapura, sem que por enquanto se saiba se o comboio onde viajava se envolveu em um fogo cruzado entre o exército e os rebeldes.

Apesar desse panorama, a resposta sem precedentes da comunidade internacional permitiu às organizações humanitárias contar com vários recursos, e contribuiu para uma dinâmica transferência de tecnologia e conhecimentos entre a população local e a estrangeira.

Como exemplo, destacam-se a popularização da internet e a possibilidade de se conectar à rede sem cabos graças ao avançado sistema de telecomunicações que se está implementando.

"Aceh disporá de fibra óptica nos próximos anos e isso barateará os custos e permitirá uma maior banda larga, ou seja, mais rapidez", assinalou o indonésio Anjar Ari Nugroho, da organização Air Putih, que coordena a mobilização tecnológica.

Como disse Gustavo Domingo, o representante da Cruz Vermelha Espanhola, "a chegada de estrangeiros foi um segundo tsunami para Aceh". Domingo reconheceu que a reconstrução está ainda na fase inicial e que Jacarta atuou com lentidão para aprovar um plano geral, mas insiste que é necessário um bom planejamento. "Queremos reconstruir uma Aceh melhor", disse.

EFE
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