Bo Asplund, coordenador residente da ONU na Indonésia, disse que a agência para refugiados da organização (UNHCR) voltou às áreas atingidas pelo tsunami na Indonésia para ajudar na reconstrução de casas para 500 mil pessoas que ficaram desabrigadas no país.
"Minha estimativa é que dentro de dois anos a grande maioria das pessoas estará em casas permanentes ou semipermanentes", disse Asplund a jornalistas, numa cerimônia que marcou os seis meses desde o desastre, em Banda Aceh.
As ondas, provocadas por terremoto, atingiram 13 nações do oceano Índico em 26 de dezembro, devastando Aceh, que fica ao norte da ilha de Sumatra. Quase 170 mil pessoas morreram ou desapareceram na região. Uma grande parte do meio milhão de desabrigados ainda vive em barracas.
"Muitas pessoas estão impacientes ¿especialmente as que vivem em barracas", disse Asplund. "É preciso fazer com a maior urgência possível a reconstrução de todas essas casas; acredito que a UNHCR tem muita competência para providenciar abrigos."
A UNHCR deixou as áreas atingidas pelo tsunami na Indonésia em março, no fim da fase de emergência. Asplund disse que é complexa a tarefa do governo de fazer a triagem dos títulos de propriedade de terra antes de dar prosseguimento à reconstrução em muitas áreas, e acrescentou que apenas 25% da terra em Aceh era registrada antes do tsunami.
Eddy Purwanto, representante da Agência de Reconstrução de Aceh, que supervisiona a reconstrução de moradias e da infra-estrutura, disse que a UNHCR tinha começado nesta semana o seu projeto de habitação, mas não ficou claro quantas moradias a agência da ONU se comprometeu a construir.
Asplund comparou a velocidade de reconstrução da Indonésia com a dos outros países afetados por desastres naturais, como a Armênia, onde um grande número de pessoas ainda vive em abrigos temporários depois do grande terremoto de 1988. "Estou convencido que será muito, muito, muito mais rápido aqui", afirmou.
Durante a cerimônia, o chefe da Agência de Reconstrução de Aceh, Kuntoro Mangkusubroto, disse que US$ 2,8 bilhões estão prontos para serem gastos na reconstrução, dos quais 1,9 bilhão foi cedido pelo setor privado e doadores internacionais.
"As coisas estão acontecendo e houve progresso; casas estão sendo erguidas em toda Aceh e as pessoas estão agindo", disse Kuntoro em frente da mesquita Baiturrahim, única edificação que ficou de pé no subúrbio costeiro de Ulee Lheue.

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