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Síria: repressão mata 63 pessoas durante visita de Kofi Annan

10 de março de 2012 08h33 atualizado às 18h02

Ao menos 63 pessoas morreram pela repressão do regime de Damasco em diferentes pontos da Síria, onde o enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, se reuniu neste sábado com o presidente Bashar Al Assad.

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Os Comitês de Coordenação Local detalharam que o maior número de vítimas foi registrado na província de Idlib, onde pelo menos 46 pessoas perderam a vida, sendo que 16 morreram em uma emboscada das forças do regime na localidade de Yisr al Shogur.

Uma porta-voz dos Comitês, Rima Flihan, disse à Agência Efe que o Exército bombardeou áreas do sudoeste e do leste da localidade de Idlib, capital da província de mesmo nome, de onde muitos cidadãos fugiram. O grupo opositor acrescentou que também houve oito mortes em Deraa (sul), sendo cinco soldados desertores; cinco em Homs (centro); três na periferia de Damasco e uma em Deir ez Zur (leste).

Os militares dissidentes foram fuzilados pelo Exército, que conseguiu capturá-los após sua deserção. Os rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS) anunciaram neste sábado que haviam conseguido derrubar um helicóptero militar e destruir dois tanques das Forças Armadas em uma região montanhosa no norte de Idlib.

Estas informações não puderam ser verificadas de forma independente devido às restrições ao trabalho dos jornalistas impostas pelas autoridades sírias. Annan visita a Síria pela primeira vez desde que ocupou o posto de enviado da ONU e da Liga Árabe para este país, no final de fevereiro.

Durante seu encontro com Assad neste sábado, o presidente sírio disse que nenhum diálogo político pode ter êxito enquanto houver grupos terroristas armados propagando o caos no país.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

EFE
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