Chávez afirmou que seguirá em contato "todos os dias"
Foto: EFE
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se despediu nesta quinta-feira de seus seguidores, um dia antes de viajar a Cuba, em um ato no qual assegurou que se prepara "para enfrentar o pior dos cenários" após ser detectada uma nova "lesão" da qual será operado na semana que vem na ilha.
"Não é o momento de despedidas; vou e volto", manifestou o líder em um ato noturno divulgado em cadeia nacional por rádio e televisão. O governante informou na terça-feira passada que uma nova "lesão" foi diagnosticada, dois dias após retornar de uma viagem de acompanhamento médico em Havana e quando se multiplicavam os rumores sobre uma suposta hospitalização de emergência.
Além disso, há rumores que dão conta de que seu câncer pode ter sofrido metástase, o que o líder da Venezuela nega taxativamente. Nesta quinta-feira, Chávez confirmou a data da viagem em reunião ministerial depois que a Assembleia Nacional (AN) o autorizou a ausentar-se do país. Durante a sessão, a oposição pediu que o vice-presidente, Elías Jaua, assumisse a Presidência.
O pedido foi negado depois que o presidente da AN, Diosdado Cabello, alegou que o motivo da viagem não responde ao sentido que a Constituição dá para uma "ausência temporária". No entanto, a AN aprovou por unanimidade dos legisladores chavistas e opositores a permissão ao chefe do Estado para permanecer no exterior por mais de cinco dias.
"Aí estarei, Fidel (Castro). Amanhã parto para aí durante a tarde, rumo a outra batalha na qual também, guerrilheiros do tempo que somos, venceremos", disse o líder durante o Conselho de Ministros.
Chávez acrescentou que "seguramente" ficará em Cuba "por alguns dias", embora tenha dito que "não serão muitos", e insistiu que cumprirá o "repouso pós-operatório" na ilha.
O líder venezuelano, 57 anos, deve submeter-se a uma cirurgia para eliminar a "lesão" diagnosticada no mesmo lugar de onde foi extraído um tumor cancerígeno há oito meses. Até o momento, foi informado apenas que o tumor ficava na região pélvica, mas não se sabe sua localização exata e seu alcance.
Nesta quinta-feira, Chávez afirmou que seguirá em contato "todos os dias", e ordenou a seus colaboradores que "pulverizem" rumores, as tais "campanhas de desinformação" que atribuiu a "laboratórios imperialistas da burguesia".
Desta vez, segundo ele, seus seguidores não devem responder a todos os rumores, mas precisam ficar atentos para, "quando for necessário, pulverizar uma dessas matrizes ou tentativas", às quais associou a um empenho opositor para minar suas possibilidades de conquistar uma nova reeleição em 7 de outubro.
Antes de finalizar a reunião ministerial com o pedindo de que seja "grande para enfrentar a adversidade", assegurou que, "com ou sem câncer", ganhará "por nocaute" o pleito presidencial de outubro.
Chávez também pediu a seus ministros que fiquem atentos, entre outras coisas, para que os bancos cumpram normas a fim de conceder créditos que permitam seus planos governamentais.
Posteriormente ao ato, que contou com a presença de dirigentes e militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o líder jurou: "viverei e os acompanharei em novas vitórias". "Seja o que for essa lesão que tenho, a enfrentarei. Tenham a certeza de que em cada minuto, em cada segundo dessa batalha, levarei vocês aqui no coração", afirmou.
Chávez ouviu discursos, cânticos, poemas e palavras de coragem, além de mensagens de desqualificação a seus opositores. Após assegurar que está "física e espiritualmente" melhor que em junho para enfrentar agora "o que tiver de enfrentar", Chávez se despediu de seus opositores os chamando de "escória".

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