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 Campanha eleitoral para legislativas começa apagada no Irã
23 de fevereiro de 2012 10h09 atualizado às 10h24

A campanha eleitoral para as nonas eleições legislativas da República Islâmica do Irã, que serão realizadas no dia 2 de março, se iniciou nesta quinta-feira sem propaganda nas ruas e com muito pouca ou nenhuma informação sobre o assunto na grande maioria dos meios de comunicação.

A apenas nove dias para as eleições, começa uma campanha que terminará em 1º de março, às vésperas do dia de votação, na qual 3.444 candidatos aprovados concorrerão a 290 cadeiras do Parlamento consultivo iraniano.

Somente as emissoras de televisão oficiais informaram nesta quinta do início da campanha, enquanto as agências e a imprensa impressa praticamente ignoravam o fato, que quase passou despercebido para os cidadãos, que tiveram poucas notícias da organização das eleições.

Na última terça-feira, o Conselho de Guardiães da Revolução, poderoso organismo religioso guiado pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, divulgou a lista definitiva de candidatos aceitos para a votação, 3.444 dos 5.395 que se inscreveram inicialmente.

Segundo o Ministério do Interior, nas eleições poderão votar, em 47 mil colégios distribuídos por todo o país, 48,2 milhões de cidadãos acima dos 16 anos, de uma população total que estima-se que supere os 76 milhões de habitantes.

Dos eleitores, 3,9 milhões poderão votar pela primeira vez, em um país onde 70% da população tem menos de 30 anos e só conheceu o regime da República Islâmica, implantado em 1979.

Nestas eleições, os partidários de Khamenei, unidos nas frentes "principialistas", que representam os mais radicais defensores do regime islâmico, esperam levar a grande maioria das 290 cadeiras do Parlamento consultivo do Irã.

No entanto, o presidente, Mahmoud Ahmadinejad e seus partidários, que enfrentam os seguidores do líder, esperam obter bons resultados em algumas províncias e no meio rural, onde obtiveram uma forte presença para divulgar as conquistas do governo nos últimos meses.

Em todo caso, esta votação é a mais restrita dos 33 anos da República Islâmica, pois, dentro do próprio regime, são muito poucos os reformistas que se candidataram e muitos dos partidários de Ahmadinejad, tachados de "desviacionistas", também ficaram afastados.

Na intensa luta pelo poder registrada por conta dessas eleições, que podem marcar o futuro político do país, os principialistas acusaram o entorno de Ahmadinejad de se desviar das rígidas normas religiosas do regime, o que levou dezenas de partidários do presidente aos tribunais e à prisão.

Entre os reformistas, os líderes do Movimento Verde, Mehdi Karroubi e Mir Hussein Mousavi, estão há mais de um ano em uma rígida prisão domiciliar, praticamente incomunicáveis, o que levou seus partidários a pedir o boicote às eleições.

Outros reformistas, como o ex-presidente Mohammad Khatami, praticamente marginalizado da política, não promoveram o boicote, mas consideraram que não há clima para uma candidatura, motivo pelo qual apenas pequenos grupos desta tendência se inscreveram para as eleições.

Além disso, pela primeira vez foi exigido um mestrado universitário para poder se candidatar a uma cadeira, embora os deputados que passaram uma legislatura completa de quatro anos no Parlamento poderão tentar a reeleição, o que facilita a presença de deputados veteranos e dificulta o acesso de novos políticos ao legislativo.

EFE
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