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 Honduras: familiares afirmam que incêndio foi "criminoso"
16 de fevereiro de 2012 21h35 atualizado às 22h39

Familiares de detentos sobreviventes se espremem contra grade enquanto aguardam do lado de fora da prisão em Comayagua . Foto: AP

Familiares de detentos sobreviventes se espremem contra grade enquanto aguardam do lado de fora da prisão em Comayagua
Foto: AP

As autoridades hondurenhas deram início nesta quinta-feira ao processo de liberação dos corpos dos 355 mortos no incêndio da colônia Agrícola Penal de Comayagua.

Um dos sobreviventes da tragédia é um brasileiro, declarou à agência EFE um dos investigadores do caso, Roberto Ramírez, que não soube identificá-lo.

Parentes das vítimas disseram que a tragédia foi um "ato criminoso", e culparam os guardas e o diretor do presídio. Alguns dos familiares disseram à EFE no Instituto Médico Legal da capital Tegucigalpa que não acreditam na hipótese levantada pelas autoridades de que o incêndio começou com um curto-circuito ou após a queima de um colchão.

"O que houve na prisão de Comayagua foi um ato criminoso. Esse negócio de que alguém colocou fogo em um colchão nem um tolo acredita, porque não seria suficiente para queimar tantas pessoas", disse Nelly Baca, que carregava uma foto de seu primo Juan Carlos Baca Ortiz, 22 anos, um dos detentos mortos.

Segundo o porta-voz do Ministério Público do país centro-americano, Melvin Duarte, os primeiros quatro corpos já foram entregues a familiares para a realização de cerimônias fúnebres. Duarte também disse que legistas hondurenhos, chilenos, mexicanos e salvadorenhos trabalham na identificação das vítimas da pior tragédia ocorrida no sistema penitenciário de Honduras.

Uma grande quantidade de parentes se concentram nas cercanias do Instituto Médico Legal à espera de informações sobre presos que estavam no presídio quando aconteceu a tragédia, entre a noite de terça-feira e a madrugada da quarta-feira. O fogo destruiu totalmente um setor do centro penal, que fica a cerca de 80 km ao norte de Tegucigalpa.

Instituições do governo de Honduras e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) levantaram tendas para atendimento de familiares e feridos.

Nelly Baca denunciou que "os mesmos guardas e o diretor da prisão (Dany López Irias) são os responsáveis dessa barbaridade". "Por que não houve guardas mortos, só detentos?", questionou.

Juan de la Cruz Baca, pai de Juan Carlos, afirmou que seu filho, que era acusado de porte ilegal de armas, foi preso "talvez por andar em más companhias". Ele acrescentou que parentes dos presos que morreram devem se unir para apresentar um processo contra o Estado hondurenho pela tragédia.

"Porfirio Lobo (presidente de Honduras) deveria vir para ver nosso sofrimento, mas não o fez, nem foi a Comayagua; somente mandou representantes", acrescentou.

Maribel de Jesús Zúniga, mãe de outro detento que faleceu, Juan Carlos Chavarría, disse à EFE que "de nada serve pedir justiça", e acusou os guardas e o diretor do centro penal de serem "os responsáveis pelo que ocorreu".

A diretora da Promotoria do Ministério Público hondurenho, Danelia Ferrera, confirmou hoje à imprensa que 354 presos e uma mulher visitava o presídio morreram no incêndio.

Ferrera acrescentou que dentro do centro penal havia 852 pessoas, incluindo a mulher, e que, dos detentos, 477 estão em outras alas da prisão e outros 20 foram hospitalizados. Ela também declarou que não houve fugas.

EFE
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  1. Familiares de detentos da penitenciária de Comayagua tentam derrubar o portão e entram em conflito com policiais

    AFP
    Foto: AFP

  2. Militares e parentes de presos entram em conflito em frente ao presídio

    AFP
    Foto: AFP

  3. Soldados armados formam barreira para enfrentar familiares de detentos

    AFP
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  4. Soldados correm de pedras lançadas por parentes de vítimas

    Foto: AP

  5. Soldados, policiais e jornalistas se protegem durante um conflito entre familiares de detentos e forças de segurança

    Foto: AP

  6. Parentes choram enquanto esperam em frente à penitenciária

    Foto: AP

  7. Peritos retiram corpo de vítima em maca

    Foto: AP

  8. Familiares de detentos choram enquanto aguardam por notícias em frente ao presídio, em Comayagua

    Reuters
    Foto: Reuters

  9. Os corpos de detentos que morreram no incêndio são colocados lado a lado no pátio da prisão

    Reuters
    Foto: Reuters

  10. Dentro da prisão, restos mortais de vários detentos que foram carbonizados pelo incêndio, em Comayagua

    Reuters
    Foto: Reuters

  11. Policiais carregam um preso ferido após um grande incêndio atingir uma prisão na cidade hondurenha de Comayagua, localizada a 80 km da capital, Tegucigalpa. Ainda não estão claras as causas, mas suspeita-se de um curto-circuito

    EFE
    Foto: EFE

  12. Em declaração citada pela agência AFP, o diretor dos Centros Penais, Danilo Orellana, deu seu relato da tragédia. "Estamos fazendo a contagem de corpos. A situação é grave, a maioria morreu por asfixia. O fogo tomou conta de vários módulos. Não se trata de uma rebelião, as causas estão sendo investigadas", afirmou

    EFE
    Foto: EFE

  13. A hipótese do curto-circuito foi levantada por, Héctor Iván Mejía, porta-voz da Secretaria de Segurança. Ele destacou que a equipe do Ministério Público e outras autoridades estão fazendo a contagem dos mortos, feridos e foragidos

    AFP
    Foto: AFP

  14. Parentes de detentos choram e se confortam enquanto aguardam por notícias em frente à prisão

    AFP
    Foto: AFP

  15. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o incêndio atingiu um dos dois módulos da penitenciária, espaço onde havia 500 presos. No total, a prisão abrigava 850 homens

    AFP
    Foto: AFP

  16. Ferido é retirado do presídio após o incêndio

    EFE
    Foto: EFE

  17. A chefe de Medicina Forense do Ministério Público de Honduras afirmou que a identificação das vítimas levará vários dias

    AFP
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  18. As causas do incêndio ainda não estão claras, mas suspeita-se de um curto circuito

    AFP
    Foto: AFP

  19. Bombeiros trabalham no rescaldo do incêndio que matou dezenas de detentos em Comayagua

    AFP
    Foto: AFP

  20. Imagem capturada por uma rede de TV mostra o fogo consumindo a colônia penal localizada na região de Comayagua

    Foto: Reprodução

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