Notícias » Mundo » Mundo

 Número total de mortos em incêndio em Honduras chega a 355
16 de fevereiro de 2012 12h23 atualizado às 13h28

Mulher chora em frente à prisão em Comayagua; tragédia hondurenha deixou 355 mortos. Foto: Reuters

Mulher chora em frente à prisão em Comayagua; tragédia hondurenha deixou 355 mortos
Foto: Reuters

Um total de 355 corpos de detentos do incêndio do presídio de Comayagua chegaram ao necrotério judicial de Tegucigalpa, informou nesta quinta-feira à AFP o porta-voz do Ministério Público (MP), Melvin Duarte. "Essa é a totalidade trazida do centro penal. Não ficou mais nenhum. Ontem à noite chegaram 115 corpos e depois, na madrugada, 238, mais dois que morreram no Hospital Escuela; no total são 355", afirmou Duarte.

Os corpos foram transportados em sacos plásticos em três contêineres refrigerados de Comayagua, 90 km ao norte de Tegucigalpa, onde ocorreu a tragédia. Médicos legistas de Honduras, ajudados por especialistas internacionais, prosseguiam com o árduo trabalho de identificar os mais de 350 corpos calcinados. A tarefa dos especialistas é muito difícil, já que muitos corpos estão carbonizados.

Desconsolados, os familiares das vítimas foram levados de ônibus de Comayagua a Tegucipalpa, e hospedados em locais disponibilizados pelo governo para esperar pela identificação e entrega dos corpos. Ontem, muitos parentes que exigiam informações das autoridades realizaram um protesto em frente à prisão. Sob o olhar impassível de policiais, dezenas de parentes e amigos dos presos atiravam paus e gritavam "assassinos".

Tragédia
Uma das piores tragédias da história carcerária de Honduras começou na noite de terça-feira (madruda de quarta no Brasil), quando aparentemente um detento deu início ao incêndio. Em meio ao fogo, alguns dos cerca de 850 presos conseguiram escapar pelos tetos de zinco da cadeia, uma labiríntica estrutura com estreitos corredores a céu aberto e com muralhas de tijolos pintados de azul e branco.

Mas os 355 mortos não tiveram a mesma sorte. Hoje, quando a imprensa foi autorizada a entrar no complexo, ainda havia sinais dos que não conseguiram escapar da penitenciária, onde havia um forte cheiro de carne queimad. Um cadáver calcinado estava de bruços, com as pernas encolhidas numa posição fetal, e os braços esticados para o canto da cela. Dois policiais e um soldado apareceram para arrastá-lo, colocando-o na pilha de corpos.

AFP
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.