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 Oposição síria pede boicote a referendo sobre constituição
16 de fevereiro de 2012 07h09 atualizado às 08h23

Membros da oposição síria defenderam um boicote ao referendo previsto para 26 de fevereiro sobre uma nova constituição, pois consideram que o texto mantém o mesmo espírito da atual lei fundamental e concede ao presidente prerrogativas absolutas. "O projeto de constituição consagra em seu prólogo e em alguns artigos o espírito do texto atual", afirmam em um comunicado os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que coordenam os protestos.

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"Outorga ao presidente da República prerrogativas absolutas, o eleva ao status de líder absoluto e eterno, permite a reprodução do regime e não garante, assim como a constituição atual, a separação dos poderes", completa o texto. "Os LCC pedem ao povo que rejeite e boicote o pretendido referendo e insista na realização dos objetivos de nossa revolução, de fazer cair este regime", acrescenta, a respeito do presidente Bashar al-Assad.

"O regime brinca com a vontade dos sírios porque não existem as condições necessárias para a convocação do referendo. Aqueles que elaboraram o projeto não são legítimos", conclui o texto, em uma referência ao regime de Assad e à repressão contra a revuelta que dura 11 meses. Assad anunciou na quarta-feira um referendo para 26 de fevereiro sobre uma nova constituição, com base no pluralismo e suprimindo qualquer referência ao partido Baath, que governa a Síria há quase 50 anos.

O fim da supremacia do Baath era uma exigência da oposição, que também deseja a renúncia de Assad. Segundo o novo texto, o presidente ainda terá a prerrogativa de nomear o primeiro-ministro e membros do governo. A oposição exige que o posto seja ocupado por uma pessoa da maioria parlamentar. No campo diplomático, a China anunciou nesta quarta-feira que enviará o vice-ministro das Relações Exteriores, Zhai Jun, à Síria.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

AFP
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