Peritos retiram da prisão o corpo de um dos detentos que morreram no incêndio, na cidade de Comayagua
Foto: AP
Defensores dos direitos humanos de Honduras pediram nesta quarta-feira a investigação das denúncias de que os guardas da prisão de Comayagua (centro), onde mais de 350 presos morreram em um incêndio, teriam aberto tardiamente as celas durante o incidente. "Vemos que houve negligência ao abrir os portões. É necessário fazer uma investigação exaustiva, as chaves não apareceram", disse à AFP Andrés Pavón, presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos em Honduras, após receber depoimentos de presos e familiares das vítimas.
Leonel Casco, encarregado da análise do Ministério da Justiça e Direitos Humanos, disse que soube de um oficial que, em vez de abrir os portões, "tirou as chaves e saiu correndo". "Quando entramos, o incêndio já estava desenvolvido. Era necessário seguir o protocolo, e se eles - os carcereiros - não abrissem os portões, não podíamos entrar" na prisão, disse Jaime Silva à AFP, comandante nacional dos bombeiros de Honduras.
Silva disse que os bombeiros receberam o alerta do incêndio às 22h56 da noite de terça-feira (2h56 de Brasília na quarta-feira), poucos minutos depois de o fogo ter iniciado, e enviaram quatro unidades. O depoimento de Silva coincide com denúncias de familiares sobre a suposta demora dos oficiais em abrir as celas para que os presos escapassem das chamas.
"Meu filho se asfixiou ali. Os guardas não abriram a porta para que morressem queimados. Se tivessem aberto a porta teriam se salvado. Houve um tiroteio quando os réus desesperados queriam sair", denunciou Johel Leonidas Medina, 69 anos, em conversa com a AFP. Alba Mejía, do Centro de Prevenção e Tratamento de Vítimas de Tortura, denunciou que parentes de vítimas afirmam que as oficiais dispararam contra os presos que tentaram fugir pelo teto.
"Temos relatos de que as chaves não foram encontradas. Há relatos de que houve disparos, mas não sabemos se os policiais achavam que se tratava de uma fuga", completou Mejía. "Eles mesmos os mataram, gritavam 'morram cachorros', queriam que morressem. Muitos estavam presos por (terem roubado) uma galinha. Quando tentavam sair pelo teto os guardas dispararam", disse Julia Morales, 72 anos, mãe de um preso.
"Não abriram os portões aos bombeiros. Quando queriam sair, ninguém tinha as chaves da cela e foram carbonizados nas portas da cela. Nos bairros próximos da prisão, os guardas perseguiram (os presos), dispararam contra os que fugiam", denunciou Omar Tróchez, 27 anos.
A procuradora de Honduras, Danelia Ferrera, disse por sua vez que é prematuro adiantar o que aconteceu no momento do incêndio, insistindo que uma investigação a fundo estabeleça o que realmente ocorreu. O presidente Porfírio Lobo ordenou uma investigação profunda para determinar as circunstâncias em que o incêndio se originou e apontar os responsáveis.

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