No momento em que a guerra secreta entre Israel e Irã sai das sombras, o Estado hebreu tenta explorar os ataques contra seus diplomatas em Índia, Geórgia e Tailândia para desacreditar Teerã e intensificar a pressão internacional a fim de parar com o seu programa nuclear.
Para os analistas israelenses, uma nova etapa começou no conflito entre o Irã e o Estado hebreu. "A guerra entre Israel e Irã saiu das sombras", escreveu nesta quarta-feira Yaakov Katz, especialista em defesa do jornal Jerusalém Post.
"Israel vai tirar vantagem desta onda de ataques, principalmente para obter um apoio internacional contra o programa nuclear do Irã", acrescentou.
"Os serviços de inteligência israelenses trabalham atualmente reunindo as peças que faltam no quebra-cabeça dos últimos atentados (...) com o objetivo de convencer que o Irã é o principal país na promoção do terrorismo no mundo", completou o analista.
Dois iranianos foram acusados na manhã desta quarta-feira de provocar uma série de explosões no centro de Bangcoc com a intenção de atingir diplomatas israelenses, segundo a polícia tailandesa.
Na terça-feira, Israel ligou os ataques de Bangcoc aos atentados na Geórgia e na Índia. Um diplomata israelense ficou ferido na segunda-feira na explosão de um carro-bomba em Nova Délhi, enquanto um ataque parecido ocorreu em Tbilisi.
- Ataques a Israel - Para Mickey Segal, ex-encarregado de questões iranianas do Mossad, serviço de inteligência israelense, os atentados dos últimos dias reforçam a posição de Israel na luta contra o Irã.
"Tudo isso ajuda a criar um ambiente estratégico em que o Irã é considerado um Estado patrocinador do terrorismo", disse à AFP.
"Evidentemente, se um suspeito é preso com um passaporte iraniano, isso conforta o discurso israelense e ocidental contra o Irã", acrescentou, fazendo alusão aos iranianos presos em Bangkok.
As autoridades de Israel, depois do anúncio dos atentados na segunda-feira, multiplicaram as suas declarações para desacreditar o Irã e apresentar Teerã como patrocinador do terrorismo internacional.
"O Irã é o maior exportador de terrorismo no mundo e ameaça o equilíbrio mundial. Hoje, as atividades terroristas do Irã serão reveladas", repetiu nesta quarta-feira Netanyahu diante do Parlamento.
"Ele (o Irã) ataca diplomatas inocentes em todo o mundo. A comunidade internacional precisa condenar e fixar limites para estas agressões, caso contrário eles vão continuar", acrescentou.
No mesmo sentido, a secretária do gabinete israelense, Zvi Hauser, citada pela imprensa, disse: "Se é desta forma que o Irã age hoje, podemos imaginar o que será capaz de fazer com o seu programa nuclear".
O suplente do primeiro-ministro israelense, Sylvan Shalom, também aumentou o tom na rádio pública contra os ataques mais recentes.
"O Irã pratica há muitos anos ataques contra civis, como provam os sangrentos ataques de Buenos Aires", ressaltou, lembrando os atentados de 1992 e 1994 na capital argentina.
Israel acusa o Irã de querer fabricar armas nucleares e comemora as medidas internacionais que sancionam Teerã.

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