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 Otan descarta participar de missão de paz na Síria
15 de fevereiro de 2012 12h56 atualizado às 13h35

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, falou sobre a situação síria em Bruxelas, na Bélgica. Foto: Reuters

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, falou sobre a situação síria em Bruxelas, na Bélgica
Foto: Reuters

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, descartou nesta quarta-feira uma possível participação da Aliança Atlântica em uma missão internacional de paz na Síria, como foi proposto pela Liga Árabe.

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"A Otan não tem nenhuma intenção de intervir na Síria", disse Rasmussen, quando perguntado pelos jornalistas em um breve comparecimento perante a imprensa. O secretário-geral aliado ressaltou que a organização "aprecia todos os esforços para conseguir uma solução ao conflito" sírio e defendeu a necessidade de um enfoque "regional".

No domingo, a Liga Árabe levantou a possibilidade do envio de uma missão de paz internacional à Síria com forças de países da organização e das Nações Unidas. A iniciativa foi imediatamente rejeitada pelo regime de Damasco.

Até agora, o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu aprovar nenhuma resolução de condenação contra a Síria por causa dos vetos da Rússia e da China. Segundo diversas fontes, Moscou quer evitar a todo custo que se repita o caso da Líbia, quando uma resolução das Nações Unidas abriu passagem a uma intervenção da Otan.

A Aliança, de todo modo, se encarregou de evitar em várias ocasiões possíveis paralelismos entre os dois países e até agora garantiu que não atuará no conflito sírio. Nesta quarta-feira, Rasmussen condenou mais uma vez a "repressão" por parte do regime de Bashar al-Assad e defendeu a necessidade de dar uma resposta às aspirações de liberdade e democracia do povo sírio.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

EFE
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