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 Incêndio em penitenciária de Honduras deixa mais de 350 mortos
15 de fevereiro de 2012 07h45 atualizado às 21h32

Homens do Exército e da polícia protegem a entrada da penitenciária atingida pelo fogo em Comayagua. Foto: AFP

Homens do Exército e da polícia protegem a entrada da penitenciária atingida pelo fogo em Comayagua
Foto: AFP

Mais de 350 presos morreram no incêndio em uma penitenciária de Comayagua, no centro de Honduras, disse nesta quarta-feira o ministro da Segurança, Pompeyo Bonilla. "Mais de 350 mortos, aproximadamente, não descartamos que seja um pouco mais, mas estamos verificando para dar uma informação oficial e exata dessa tragédia", declarou Bonilla, na penitenciária localizada a 90 km ao norte de Tegucigalpa.

O ministro disse não confirmar nem descartar o número de 366 mortos dado em Tegucigalpa pelo comissário Nacional dos Direitos Humanos, Ramón Custodio, com base na informação arrecadada por seu pessoal deslocado a Comayagua. Além disso, Bonilla afirmou que as autoridades constatam se haveria fugitivos entre os cerca de 360 que, segundo afirmou o porta-voz da polícia, Héctor Iván Mejía, se consideram mortos ou desaparecidos. "Sabemos que há diversas cifras, mas nós não temos fugitivos confirmados", disse Custodio.

O número inicial era de que 100 pessoas haviam morrido. Logo depois, o número passou para 200, chegando a 272 - dado informado pela chefe de Medicina Forense do Ministério Público de Honduras, Lucy Marrder. Ela acrescentou que identificação levará vários dias e que "dezenas de queimados e feridos" foram atendidos nos hospitais de Comayagua.

Por sua vez, uma enfermeira do Hospital Santa Teresa contou aos jornalistas que ao menos 30 presos deram entrada com queimaduras de terceiro e quarto graus. O Hospital Escola em Tegucigalpa também recebeu feridos.

Segundo os relatórios do ministro Pompeyo Boni, entre os mortos haveria um mexicano e um nicaraguense. Mejía afirmou que na penitenciária de Comayagua havia um total de 852 presos, dos quais 496 foram identificados entre os sobreviventes da tragédia.

Em declaração citada pela agência AFP, o diretor dos Centros Penais, Danilo Orellana, deu seu relato da tragédia. "Estamos fazendo a contagem de corpos. A situação é grave, a maioria morreu por asfixia. O fogo tomou conta de vários módulos. Não se trata de uma rebelião, as causas estão sendo investigadas", afirmou. A hipótese do curto-circuito foi levantada por, Héctor Iván Mejía, porta-voz da Secretaria de Segurança. Ele destacou que a equipe do Ministério Público e outras autoridades estão fazendo a contagem dos mortos, feridos e foragidos.

O incidente começou às 22h50 locais de terça-feira (2h50 de Brasília na quarta-feira) por causas ainda desconhecidas, e foi controlado pelos bombeiros cerca de três horas depois. Em uma mensagem ao país em rede de rádio e TV, o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, anunciou nesta quarta-feira o afastamento temporário das autoridades penitenciárias para garantir uma investigação eficaz das causas do incêndio.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros da cidade de Comayagua, sargento Josué García, indicou à agência EFE que pelos dados fornecidos por funcionários da Colônia Penal Agrícola, o incêndio atingiu um dos dois módulos da penitenciária, espaço onde havia 500 presos. "Há muitos corpos empilhados no interior dos módulos que, com certeza, tentaram, mas não conseguiram escapar do fogo", detalhou o porta-voz dos Bombeiros.

Familiares de detentos disseram aos jornalistas que, por relatórios preliminares que receberam, as celas seis, sete e oito foram as mais afetadas pelas chamas. A polícia não permitiu o acesso da imprensa ao interior da prisão, que fica às margens da estrada que liga Tegucigalpa ao centro e norte de Honduras. Alguns que conseguiram escapar do fogo quebraram o telhado e se jogaram do alto do prédio, revelaram familiares em relatos dramáticos. Há ainda registros preliminares de fuga.

A área do centro penal está fortemente protegida pelo Exército e a polícia e vários familiares dos presos permanecem do lado de fora da instituição à espera de notícias. "Meu irmão Roberto Mejía estava no módulo seis. Disseram que todos desse módulo morreram", declarou Glenda Mejía, muito abalada. A seu lado, Carlos Ramírez também esperava notícias de seu irmão, Elwin, detido por assassinato e que também se encontrava no módulo seis. "Não nos dizem nada".

Histórico de tragédias
A prisão é um complexo agrícola localizado a 500 metros da estrada que une San Pedro Sula, a capital econômica de Honduras, e Tegucigalpa, centro governamental. Neste centro penitenciário os detentos se dedicam, entre outras atividades, ao cultivo de hortaliças e criação de porcos. Em maio de 2004, mais de 100 presos morreram carbonizados em um incêndio no presídio de San Pedro Sula, devido, segundo as autoridades, a problemas estruturais da prisão. Honduras conta com 24 estabelecimentos penitenciários com capacidade de albergar 8 mil pessoas, mas a população carcerária ultrapassa as 13 mil.

Com informações da EFE e AFP

Terra
  1. Familiares de detentos da penitenciária de Comayagua tentam derrubar o portão e entram em conflito com policiais

    AFP
    Foto: AFP

  2. Militares e parentes de presos entram em conflito em frente ao presídio

    AFP
    Foto: AFP

  3. Soldados armados formam barreira para enfrentar familiares de detentos

    AFP
    Foto: AFP

  4. Soldados correm de pedras lançadas por parentes de vítimas

    Foto: AP

  5. Soldados, policiais e jornalistas se protegem durante um conflito entre familiares de detentos e forças de segurança

    Foto: AP

  6. Parentes choram enquanto esperam em frente à penitenciária

    Foto: AP

  7. Peritos retiram corpo de vítima em maca

    Foto: AP

  8. Familiares de detentos choram enquanto aguardam por notícias em frente ao presídio, em Comayagua

    Reuters
    Foto: Reuters

  9. Os corpos de detentos que morreram no incêndio são colocados lado a lado no pátio da prisão

    Reuters
    Foto: Reuters

  10. Dentro da prisão, restos mortais de vários detentos que foram carbonizados pelo incêndio, em Comayagua

    Reuters
    Foto: Reuters

  11. Policiais carregam um preso ferido após um grande incêndio atingir uma prisão na cidade hondurenha de Comayagua, localizada a 80 km da capital, Tegucigalpa. Ainda não estão claras as causas, mas suspeita-se de um curto-circuito

    EFE
    Foto: EFE

  12. Em declaração citada pela agência AFP, o diretor dos Centros Penais, Danilo Orellana, deu seu relato da tragédia. "Estamos fazendo a contagem de corpos. A situação é grave, a maioria morreu por asfixia. O fogo tomou conta de vários módulos. Não se trata de uma rebelião, as causas estão sendo investigadas", afirmou

    EFE
    Foto: EFE

  13. A hipótese do curto-circuito foi levantada por, Héctor Iván Mejía, porta-voz da Secretaria de Segurança. Ele destacou que a equipe do Ministério Público e outras autoridades estão fazendo a contagem dos mortos, feridos e foragidos

    AFP
    Foto: AFP

  14. Parentes de detentos choram e se confortam enquanto aguardam por notícias em frente à prisão

    AFP
    Foto: AFP

  15. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o incêndio atingiu um dos dois módulos da penitenciária, espaço onde havia 500 presos. No total, a prisão abrigava 850 homens

    AFP
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  16. Ferido é retirado do presídio após o incêndio

    EFE
    Foto: EFE

  17. A chefe de Medicina Forense do Ministério Público de Honduras afirmou que a identificação das vítimas levará vários dias

    AFP
    Foto: AFP

  18. As causas do incêndio ainda não estão claras, mas suspeita-se de um curto circuito

    AFP
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  19. Bombeiros trabalham no rescaldo do incêndio que matou dezenas de detentos em Comayagua

    AFP
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  20. Imagem capturada por uma rede de TV mostra o fogo consumindo a colônia penal localizada na região de Comayagua

    Foto: Reprodução

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