Ao menos 17 civis afegãos, 11 deles crianças, morreram em duas operações com bombardeios da missão da Otan nas províncias orientais de Kunar e Kapisa, informaram nesta segunda-feira as autoridades locais. Nove civis da mesma família, entre eles uma mulher e três crianças, morreram na província de Kunar, e outras oito crianças na de Kapisa, de acordo com a comissão investigadora nomeada pelo presidente do Afeganistão, Hamid Karzai.
A Força Internacional de Assistência para Segurança (Isaf, na sigla em inglês) recorreu aos bombardeios durante as duas operações, ocorridas em 17 de janeiro e 6 de fevereiro, segundo os responsáveis pela investigação, que citaram depoimentos de dezenas de aldeões. "O bombardeio da Otan no vilarejo de Giawa, na província de Kapisa, matou oito crianças com idades entre 6 e 14 anos", disse em entrevista coletiva o representante desta província, Mohammad Zahir Safi.
De acordo com sua versão, os bombardeios foram feitos mesmo com a oposição do chefe de segurança do distrito, que defendeu que não havia atividade rebelde nessa região. "Sabemos que houve um ataque em Kapisa e estamos analisando as mortes de civis na província", disse à Agência Efe o comandante Jason Waggoner.
As baixas de civis em operações das tropas internacionais são um dos principais pontos de discordância entre a missão da Isaf no Afeganistão e o governo de Karzai, que qualificou estes fatos como "inaceitáveis". Karzai determinou ao Ministério da Defesa que impeça as tropas internacionais de praticarem operações sem coordenação e que assuma o controle das operações noturnas.

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